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A Europa que se anuncia

Things are going to slide, slide in all directions
Won’t be nothing,

nothing you can measure anymore
The blizzard, the blizzard of the world
has crossed the threshold
and it has overturned
the order of the soul

Leonard Cohen, The Future

 

Servos remunerados, endividados com hipotecas para pagar, receosos de abrir o bico e perder os empregos com o qual pagam os juros das suas dívidas. Dos seus salários, abatidos sumariamente na fonte, provêm os impostos que sustentam uma burocracia gigantesca.

 

Servos e burocratas. Os segundos têm benefícios não tributáveis e toda a sorte de chicana jurídica à sua disposição. Bem como uma aconchegante estabilidade, como um ventre quente que se abre para abriga-los gostosamente. Decidem amordaçar-se voluntariamente. Um pequeno preço a pagar por este casulo protegido de onde decidem o destino dos recursos minguantes provenientes do resto da sociedade. Invariavelmente, para alguma teta pútrida onde uma horda de seres humanos luta para mamar o leite pouco e rançoso que pinga dos úberes do grande Estado Europeu.

 

Enquanto isso, todos tocam suas vidas num vai-e-vem assustado. O medo de serem explodidos a qualquer momento, em qualquer lugar, das capitais à mais remota vila da Normandia, é difuso e onipresente ao dobrar cada esquina. Um leve cheiro de morte paira no ar.

 

Mulheres são violentadas nos metros e padres decapitados ao tentarem rezar uma missa dominical. O “novo normal” está instaurado, ao qual os europeus se adaptam paulatinamente, numa síndrome de Estocolmo homeopática.

 

Cristãs e ateias adotam o véu islâmico, na esperança de diminuírem as chances de serem assediadas.

 

Rancor e conflito. Um ódio carregado de culpa sai de controle em uma espiral crescente. Na utopia multiculturalista, grupos com valores irreconciliáveis entram em conflitos constantes ao lutarem pelos mesmo recursos escassos. Pelos mesmos poucos empregos. Pelas mesmas tetas estatais. Pelas mesmas vagas nas escolas. Pelas mesmas moradias subsidiadas. Pelas mesmas fêmeas para copular.

 

Ressentimento, o mais perigoso dos nossos sentimentos leva invariavelmente à violência e ao caos.

 

O Grande Estado Babá Europeu oferece a solução para os problemas que ele mesmo gestou em seu ventre. Burocratas eleitos por ninguém concedem, altruisticamente, mais poder a si mesmos. Advogam a redução das liberdades em troca de segurança e estabilidade.

 

Polícia secreta, serviço secreto e exército transnacionais europeus são instaurados para garantir uma pax armada numa grande guerra civil sem fronteiras, prestes a explodir nas entranhas dos bairros suburbanos em todo o continente.

 

Gastando mais do que pode, a Europátria lança uma silenciosa guerra ao papel moeda, garantindo que todas as trocas aconteçam dentro do sistema, através do sistema, regulado pelo sistema, para o sistema. Tudo dentro dele. Nada fora dele.

 

Impostos transnacionais pagarão por toda esta proteção. A massa servil, ainda mais endividada tentará encontrar em vão qualquer sentido para continuar a pagar com o seu suor, os tributos que compram os coturnos de Bruxelas. Os mesmos que esmagam suas gargantas contra o chão. Botinas pesadas e brutas, mas também cirúrgicas, que não comprimem suas glotes completamente, permitindo-lhes uma respiração moribunda. Ao sufocado, só resta colocar a mão no bolso e entregar os frutos do seu trabalho servilmente ao seu protetor e opressor, cuja face, ele não é mais sequer capaz de identificar.

 

Ao observador externo, só restará ouvir Leonard Cohen enquanto torce para que o meteoro econômico que se anuncia ponha o Leviatã por terra.

 

“I’ve seen the future, brother

It is murder.”

Leonard Cohen, The Future

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