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O Tesão da Castração

Vivemos em uma época de crise de masculinidade no mundo ocidental. Sei que o tema é longo e daria para um livro inteiro e não um post curto neste blog. Não pretendo cobrir a vasta extensão do assunto aqui, apenas abordar um aspecto deste tópico tão relevante para os dias de hoje e para os rumos da nossa civilização.

“O Tesão da Castração”

Cunhei o termo acima alguns anos atrás, quando observei em certos amigos uma inversão do “Tesão Natural” do homem pelas coisas (Não, não estou falando de homossexualismo). O ser humano masculino tende a sentir prazer em FAZER . Conquistar uma mulher, construir algo, escrever um livro, pintar um quadro, estabelecer um negócio, caçar um animal para alimentar sua família. Acontece que comecei a notar o comportamento oposto em certas pessoas próximas. Homens que sentiam prazer em IMPEDIR o fazer. Primeiro em si mesmos, depois nos outros.

Contarei alguns episódios, que apesar de anedóticos, ilustram o que eu escrevi acima.

Tal reflexão veio à minha cabeça alguns anos atrás, ao jantar uma pizza descomprometida com um amigo de longa. Quando o garçom perguntou o que gostaríamos de beber, eu disse: “Vou tomar uma cerveja, e você?”Ele respondeu: “Não, de jeito nenhum, estou dirigindo”. Até aí, nada demais, não fosse o sermão que meu camarada engatou, argumentando como até uma latinha de cerveja afeta sua coordenação, como as pessoas são irresponsáveis, isso, aquilo etc etc.

Percebi que meu amigo sentia um certo prazer em criticar os outros, ao mesmo tempo em que censurava a si próprio.

Papo vai, papo vêm e ele trouxe à tona o assunto da reciclagem do lixo (tema interessantíssimo para conversar com um amigo de longa data, certo?). E contou como ele e a esposa separavam cada garrafa por cor e como as pessoas que não fazem isso eram bárbaras, inconscientes e inconsequentes.

O leitor já deve ter sentindo o drama. Cheguei em casa meio baqueado com aquele papo. Tanta regra, tanta virtude, tanto bedelho na vida dos outros! Admirava-me como ele podia sentir tamanho prazer na censura, tanto alheia como dele mesmo. Não, não tratava-se de alguém sendo disciplinado e consciente. Era algo mais profundo e perturbador. Era o “Tesão da Castração”.

Semana seguinte, encontrei outro amigo, que estava a reclamar de sua solidão e vida sexual inexistente. Indaguei, naturalmente, se ele havia cogitado procurar uma profissional do sexo nessas horas de desespero. Sua reação me fez sentir que conversava com uma tiazinha da liga de senhoras católicas: “Imagina, isso não é certo. É exploração! E tem mais, eu ficaria com dó na puta.” (vê-se o tremendo problema de auto-estima do rapaz)

“Dó! Exploração! Quanto você ganha?” perguntei. À época, meu amigo ganhava cerca de R$ 7 mil mensais. Enquanto que uma garota de programa que atendesse em flat próprio e cobrasse 300 reais com 3 clientes em média por dia, geraria uma renda mensal de R$ 18 mil. Mais do que o dobro do seu ordenado de assalariado. Argumentei baseado nesses fatos que não havia exploração ali, apenas uma troca consensual. E que se havia exploração, era por parte da profissional do sexo, que estava explorando no bom sentido um mercado de homens com demanda sexual.

“Mas não acho isso certo!” ele respondeu. E partiu para uma longa argumentação de clichês feministas e generalizações. “Mas existem meninas que são exploradas!” De fato, mas argumetei que não estava sugerindo a ele que fosse num bordel de chão batido e práticas duvidáveis para curar sua secura. Senti que não seria possível continuar uma conversa pautda em fatos reais e mudei de assunto.

Ao longo dos últimos anos, tive semelhantes conversas de bar com diversos amigos (principalmente de viés esquerdista) sobre os mais variados temas. Aborto, ambientalismo, islamismo etc. Na maioria das vezes, temas sobre os quais nunca haviam dito uma palavra sequer, mas que agora traziam à tona com a naturalidade de catedráticos no assunto.

O que estava acontecendo? Não sabia ao certo, mas os sintomas eram patentes. Bastava um assunto “polêmico” pipocar na mídia para as hostes de soldados serviçais apresentarem-se com determinação férrea para repetir a opinião oficial da “intelectualidade” tupiniquim. O importante não era ter uma opinião, mas estar do “lado certo da história”. Ser progressivo, ser pra-frentex.

Em inglês, o termo Virtue Signaling ilustra bem esta atitude. A “Sinalização de Virtude”. Ou seja, uma empostação insincera e exagerada sobre um tema com o objetivo de sentir-se e projetar uma imagem superior aos outros.

A pior parte, é que o Virtue Signaling não é uma via de mão única. Assim que um desses paladinos da Vila Madalena ou Leblon termina seu processo de auto-censura e castração, passa a fazer o mesmo com as pessoas ao seu redor. Tolhendo as palavras que queremos usar, policiando o tesão que devemos sentir, filtrando as piadas das quais podemos rir, chegando a intrometer-se nos pensamentos que sequer podemos entreter.

Para sentirem-se superiores aos outros precisam fazer com que os outros sintam-se inferiores a eles.

Este é  o caminho que leva um homem a tornar-se um Mangina (Man, homem em inglês + Vagina). Um ser desprezado e evitado por homens e mulheres de verdade. Afinal, que mulher quer um homem caga-regras, que no fundo é mais inseguro e frágil do que ela? E que homem quer um amigo que se comporta como uma velha amarga a bradar sermões de virtude tão verdadeiros como uma nota de 3 reais?

O Mangina, caros leitores, é a versão século XXI daquela sua tia encalhada, mal-comida e frustrada que ficava usando a religião para atazanar a vida de todo mundo. A única diferença é que o Mangina faz uso da agenda progressista do beautiful people do ProJac. Só isso.

1 Response
  • Maria Maria Eduarda
    maio 8, 2017

    Ou pior, só chegam nelas após estarem bêbados, pois precisam
    da bebida para criarem coragem.

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