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O caminhão de besteiras ditas por Maira Pinheiro, a pichadora de elite (com o aval do PT, seu partido)

por Niquilauda Regazzoni para o BomSenso.org

Na madrugada do dia 4 de março, Maira Pinheiro, candidata a vereadora pelo PT, foi detida em flagrante enquanto pichava o muro de um estacionamento na Rua Santo Antônio, no Centro da cidade de São Paulo. Ela foi a primeira pessoa a ser enquadrada nas novas regras do denominado Projeto Cidade Linda, uma tentativa de construir um espaço urbano mais civilizado e de coibir com maior rigor os vândalos que insistem em depredar patrimônio público e privado. Terá de pagar uma multa de R$ 5.000,00 ou recuperar o dano que causou.

Após sua detenção, Maira gravou um vídeo e publicou manifestações nas redes sociais, ambos carregados do mais baixo esquerdismo, retrógrado e sem sentido, no qual usa a velha tática da vitimização. Ou seja, não bastasse ter depredado patrimônio de outras pessoas, ainda feriu a lógica e o bom senso ao destilar o mais puro chorume ideológico.

Que se deixe claro: pichação é diferente de grafite. Este, sim, é arte e manifestação cultural popular. Se feito com autorização do dono do prédio, colabora para transformação do espaço urbano e tem potencial de embelezar a cidade, tornando-a mais colorida. Pichação, por outro lado, é expressão da falta de educação de alguém que se julga acima das regras básicas de convivência em sociedade.

Na fala, Maira qualificou a lei antipichação e o programa Cidade Linda, da gestão Dória, de “higienista”, afirmando que o projeto é uma forma de perseguição à “arte de rua” e à “população negra e periférica”.

A fala é grotesca e contraditória. Maira é branca e está longe de ter vindo de uma família pobre da periferia de São Paulo. Segundo dados de suas redes sociais, foi aluna do Colégio Humboldt, uma escola bilíngue localizada na Zona Sul de São Paulo, cuja mensalidade ultrapassa os R$ 2.000,00. Sua detenção, portanto, é prova de que essa narrativa absurda não tem absolutamente nenhum fundamento na realidade.

Além disso, vale repetir, Maira não é artista de rua. Foi flagrada escrevendo na parede de um imóvel particular as frases: “Corruptos” e “Mães tb goz…”. Ou seja, ali não havia nenhuma manifestação artística popular, só vandalismo puro e simples.

Muito me admira a indignação de Maira com a corrupção, já que pertence a um partido que qualifica como “guerreiros do povo brasileiro” pessoas condenadas por corrupção, formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e outras infrações penais. Seria mais apropriado que tivesse escrito a frase corruPTos, dando ênfase à sigla de seu partido.

Seguiu dizendo que a pichação (que ela e outros pichadores escrevem com x, por algum motivo idiota), é uma expressão da liberdade de manifestação do pensamento. Uma heresia sem sentido.

Quem acompanha as publicações da página sabe que o BomSenso.org se pauta nas ideias liberais clássicas, e dentre elas, a liberdade de expressão está entre uma das mais caras e importantes para a democracia. Ao mesmo tempo, todo liberal sabe que nenhum direito fundamental pode se sobressair a ponto de excluir os demais. Pelo contrário, todos devem conviver em harmonia.

Como ex-estudante de direito da USP, Maira deveria saber que a liberdade de expressão não é absoluta. Há limites, assim como ocorre com qualquer direito individual. Não há dúvidas de que, numa democracia, qualquer pessoa é livre para manifestar sua opinião, e esse direito deve ser defendido, concordemos ou não com o conteúdo da opinião. Sim, mesmo no caso de uma opinião idiota!

Nesse caso, Maira nos deu uma excelente demonstração, suas opiniões são realmente idiotas, mas como liberais, defendemos o direito que ela tem de manifestá-las, desde que sejam respeitados os direitos das outras pessoas.

Sim, porque, ao contrário do grafite, a pichação nada mais é do que poluição visual. Não à toa, ela é considerada um crime ambiental. Sim, Maira, como estudante de direito você deveria saber que o espaço urbano também é considerado meio ambiente, e que seu ato de vandalismo representa não apenas um dano patrimonial ao dono do imóvel pichado, mas também um dano a toda a coletividade. Conviver em uma cidade suja e vandalizada representa um decréscimo à qualidade de vida de todos aqueles que ocupam o espaço urbano.

Não se pode esquecer que a cidade de São Paulo gasta milhões de reais por ano para recuperar os danos causados pelos pichadores. Ou seja, parte do dinheiro do contribuinte poderia estar sendo empregado em outras áreas mais importantes, como saúde e educação, mas ao invés disso, recursos são desperdiçados para consertar os danos causados por pessoas sem nenhum respeito ao próximo danificaram.

É claro que o PT saiu em defesa de Maira. Victor Marques, Secretário Municipal de Juventude do PT em São Paulo, afirmou categoricamente: “O PT defende as liberdades de expressões e artes (…). Na minha opinião entendo que uma detenção por se manifestar revela que estamos em um estado de exceção” (sic).

A frase deveria concorrer a um prêmio por maior número de bobagens por caractere. De fato Maira estava fazendo “arte”, mas não no sentido de manifestação artística a que o secretário fez alusão. No mais, falar em detenção por “se manifestar” é de embrulhar o estômago. Ela foi detida por pichação, e não pelo conteúdo de suas manifestações. Victor se pretende um marxista de Karl Marx, quando na realidade ele é um daqueles marxistas de Groucho Marx. O humor que ele produz, contudo, é não intencional.

Aliás, é cômico ouvir da esquerda todo esse amor pela liberdade de expressão. Justo eles que são campeões no uso de táticas fascistas para calar seus adversários. No ano de 2014, na Faculdade de Direito da USP, esquerdistas como Maira invadiram a aula do professor associado Eduardo Lobo Botelho Gualazzi. Na ocasião, Gualazzi fez duríssimas criticas aos regimes ditatoriais comunistas (com o que concordamos), e defendeu a ditadura militar (com o que discordamos com veemência).

A esquerda franciscana não quis saber e interrompeu o discurso do professor por meio da violência e intimidação. De que lado Maira ficou? Será que, naquela época, fez a defesa incondicional da liberdade de expressão, ou se colocou favorável aos invasores esquerdistas, que usaram tática típica dos camisas-pardas da S.A? Qual é o seu palpite, leitor?

Maira, Victor e esquerdistas retrógrados como eles adoram a defesa ad hoc da liberdade de expressão, ou seja, em nome da “luta” e do esquerdismo, qualquer sacrifício é válido, principalmente quando se trata do patrimônio alheio.

A pichação tem que ser encarada como ela é: vandalismo, crime ambiental, dano ao patrimônio público e privado. Pichação não tem absolutamente nada em comum com arte de rua ou expressão cultural popular. Ela representa, sim, uma falta de cultura e respeito ao próximo. É, antes de mais nada, um ato inútil de rebeldia sem causa, que nada contribui para a construção de um ambiente urbano mais democrático.

Punir a pichação não tem nada de higienista, racista ou elitista. Racista e elitista, aliás, foi Maira, pois foi ela quem estereotipou a figura do pichador, ao descrevê-lo como jovem negro e da periferia. Maira provou que pichadores existem de todas as etnias e classes sociais, inclusive brancos filhinhos-de-papai. Que a lei seja cumprida igualmente para todos, como em qualquer democracia.