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Falácias da Esquerda Volume II: “Só a esquerda se preocupa com os pobres!”

Por Simão Cireneu

Dando seguimento à nossa série “Falácias da Esquerda”, abordaremos hoje uma mentira historicamente repetida à exaustão, a ponto de quase ter se tornado uma “verdade” aparente para o senso comum – mas não para o Bom Senso: a ideia de que só a esquerda se preocupa com os pobres.

O critério de análise que utilizaremos para desconstruir provar exatamente o contrário, ou seja, que a esquerda não está nem aí para os pobres, é bem simples: “julgue um homem por suas ações, e não por suas palavras”. A esquerda critica as religiões cristãs, mas ela própria é uma grande pregadora com assomos de culto: vomita dogmas, “verdades” e presunções, castigando quem dela discorda.

Se observarmos o mundo com os olhos míopes da esquerda, teremos a impressão de que antes de toda a groselha escrita por Marx (o “bessias”?), a humanidade nunca havia se preocupado com a assistência aos menos favorecidos. Durante todo o lapso temporal compreendido entre a época em que nossos ancestrais desceram das árvores e aprenderam a utilizar o polegar opositor, até a Revolução Industrial, o egoísmo imperou no seio da sociedade, de acordo com a esquerda. Era “cada um por si”, até que o polímata Marx descobriu a roda da sociedade: a luta de classes, a guerra constante entre opressores e oprimidos, abastados e miseráveis, exploradores e explorados.

Desde então, com o surgimento da esquerda dotada de “consciência social”, os pobres passaram a ser defendidos com unhas e dentes – no mundo imaginário e idealizado da esquerda.

Passemos agora aos fatos: até hoje, nenhum regime totalitário de cunho socialista/comunista acabou com a pobreza, tampouco foi capaz de amenizá-la. Pelo contrário, todos os regimes totalitários de esquerda conseguiram o inimaginável: socializar a pobreza, tornando pobre toda a população, com exceção da burocracia estatal que sempre gozou de benesses e privilégios. União Soviética, República Popular da China (até substituir a economia planificada pelo capitalismo de Estado, de laços, de compadrio), Alemanha Oriental, Cuba e, mais recentemente, Venezuela, todos quebraram. Do ponto de vista econômico, todos os regimes totalitários de planejamento central fracassaram. O Estado se mostrou incapaz de reduzir as desigualdades sociais por meio de intervenção na economia. O livre mercado, pelo contrário, é o instrumento (espontâneo) mais eficiente para tanto, a despeito de não ser este seu objetivo. A redução das desigualdades sociais é uma espécie de bem colateral (como oposto de dano colateral) resultante de trocas espontâneas, todas individuais, sem exceção, e que geram externalidades positivas. Ao maximizarem a utilidade de seus bens por impulsos egoísticos, toda a riqueza produzida circula de forma espontânea e natural. Além disso, a economia de (livre) mercado permite que qualquer cidadão produza e transacione riquezas da forma que entender conveniente, dando-lhe a possibilidade de prosperar por meio de seu próprio esforço. O Estado liberal não é assistencialista, não dá o peixe. O mercado é um oceano de oportunidades colocadas à disposição do homem que pode, com o suor de seu trabalho e um mínimo de educação (instrução), melhorar sua condição.

Passando do plano coletivo (Estado) para o individual, também notamos o cinismo da esquerda refletido em sua total ausência de ações concretas para diminuir a pobreza. Das mesas de caríssimos restaurantes ou debruçados sobre os teclados de seus MacBooks, o jet set Rive Gauche adora pregar a salvação dos pobres. Não por ação própria, mas sempre por meio do Estado.

Samaritano de Esquerda

Se dotada de Bom Senso fosse, a esquerda já teria reconhecido, em primeiro lugar, que a redução da pobreza só pode ser concretizada por meio da ação individual. Ações individuais de cunho moral, entretanto, dependem da assunção de certas responsabilidades. Na cabeça de um esquerdista oba-oba, acabar com a pobreza (coletiva) é função/dever/responsabilidade do Estado. Já na concepção de mundo de um ser dotado de consciência (individual, e não social), aliviar a pobreza (específica, de alguém que se vê na rua passando dificuldades) é um dever moral pessoal e intransferível. O homem dotado de razão sabe que a melhor forma de contribuir com a diminuição da pobreza é por meio de suas próprias ações concretas, sem terceirizar para o Estado a responsabilidade pelo bem-estar de seu semelhante, como sempre fez a esquerda.

Note que essa responsabilidade pessoal, esse dever moral intransferível de ajudar os pobres, é muito anterior a Marx (que nem de sua própria família foi capaz de cuidar). Basta abrir o livro mais “reacionário e opressor” já escrito, a Bíblia, em Lucas 9:13: “Dai-lhes vós mesmos de comer!”. O Cristo pregava sempre a caridade, a fraternidade, o amor ao próximo. Não há, em nenhuma passagem do Evangelho, qualquer ideia do tipo “construa um Estado totalitário, centralizador e com economia planificada, e todos terão de comer”.

Independentemente de qualquer crença, é inegável que a forma individual mais eficaz de se combater a pobreza (fora do mercado) é a caridade. Estender a mão ao próximo. Oferecer-lhe um prato de comida. Abrigo. Conforto. Atenção. Amor. Trabalho. Como evolução dessa postura individual surgiram várias associações (espontâneas) entre indivíduos, que se preocupam com o bem-estar dos menos favorecidos: em primeiro lugar, as próprias igrejas Cristãs (excetuadas algumas vertentes caça-níqueis atuais), e depois outras instituições como a Franco-Maçonaria, os Rotarianos, etc., e grupos menores como associações de bairro. Há muita gente bem intencionada por aí, que não é de esquerda, e que extrapola as boas intenções, arregaça as mangas e parte para a ação.

Qual foi a última vez em que você viu um esquerdista praticando caridade? Você já viu algum esquerdista-membro-de-clube-do-uísque-dono-de-garrafa-num-boteco-chic-e-descolado-em-Pinheiros doando algo a alguém? O esquerdista não doa nada, nem mesmo o seu tempo. A esquerda adora tomar bens alheios, por meio de confisco, invasões, estatização, corrupção, etc. Raramente, entretanto, se ocupa em servir, em ser a mão amiga, em assumir responsabilidade pelo próximo. Fato é que para a esquerda, ninguém é próximo, não há indivíduos. O amor ao próximo não tem serventia para a concretização de seu projeto de poder. Almas caridosas dificilmente se tornam idiotas úteis. A esquerda vê a pobreza conceitual no mundo, mas não vê o mendigo que passa frio na esquina. Prefere atravessar a rua. Não enxerga o ser humano que vive ao lado, mas apenas abstrações, como humanidade, justiça social, classes, etc. Talvez esta seja a forma de racionalizar o cinismo contumaz impregnado em sua essência: pregar algo, mas fazer exatamente o contrário, ou se isentar do dever moral individual de fazê-lo.

No fim das contas, o mundo continua mundo, e pouco a pouco a sociedade retoma a noção da importância da responsabilidade individual pelo bem-estar do próximo, como condição indispensável para o seu próprio bem-estar, assim como da importância do livre mercado como repertório infinito de oportunidades de prosperar individualmente sem recorrer ao Estado.

Diante de tantos bilhões (trilhões?) desviados no Mensalão e no Petrolão, a esquerda apenas argumentou que “não havia inventado a corrupção, que sempre existiu no Brasil”. Ou seja, apenas tentou legitimar seus crimes, que curiosamente não serviram como meio para construir nem sequer uma única creche, que seria um lapso robinhoodeano de boa ação moralmente condenável. Assim que teve acesso ao erário, a esquerda tratou de encher os próprios bolsos. A farinha nunca foi pouca, o problema é que a esquerda só vê seu próprio pirão.

“Ah, mas e o Bolsa Família?” – pode perguntar um ignorante bem intencionado. Comparado à quantia desviada pelo partido de esquerda que governou o Brasil nos últimos 13 anos, o Bolsa Família foi dinheiro de pinga. Ao assumir o governo há 13 anos, a esquerda poderia ter investido todo o dinheiro desviado em educação. Um jovem com 7 anos de idade à época, começando a ser alfabetizado, poderia ter recebido uma educação escolar / técnica / universitária capaz de ensiná-lo a pescar, gerar e distribuir riquezas. Não o fez porque não o quis.