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Carta Aberta de apoio à Operação Lava-Jato

Por Leôncio Custódio

Excelentíssimo Senhor Juiz Sergio Moro, Ilustríssimos Procuradores da República integrantes da Força-Tarefa, Digníssimos Policiais Federais,

Há pouco mais de dois anos o Brasil iniciou uma caminhada para o futuro. Despretensiosamente. Sem uma grande ruptura perceptível. Apenas fruto do trabalho cotidiano dos até então anônimos agentes públicos que, longe do glamour dos gabinetes políticos do Planalto Central, exerciam suas funções rotineiras.

Sim, era apenas mais um trabalho para policiais que grampeavam giro suspeito de divisas em um posto de gasolina de Brasília. Um preso aqui, outro acolá. Típica operação que mereceria rápido registro na televisão e pequenas notas de rodapé nos jornais. Mas o acaso agiu a favor dos justos, e nas gravações alguns peixes graúdos começaram a ser fisgados pelo anzol da investigação.

Não pretendo fazer um resumo de cada etapa desta apuração criminal, a maior do país e que está quebrando paradigmas positivamente, fazendo aumentar a crença da população pelo fim da impunidade dos poderosos. O que quero louvar e apoiar, em nome de todo povo cansado dos desmandos sem responsabilidade, é o trabalho de excelência que está sendo realizado e que traz ânimo àqueles que, descrentes, já não viam mais sentido no esforço, no estudo, na retidão de caráter, valores caros à democracia que estavam corroídos pela usurpação de gente que delinquia sem temor, por se acharem acima das leis, acreditando -se uma casta especial.

À Polícia Federal peço que mantenha a fibra nas investigações, analisando minuciosamente os elos entre “laranjas” e poderosos, que por mais astutos que sejam no mundo da criminalidade do colarinho branco, sempre deixarão rastros. Não esmoreçam frente às dificuldades e suspeitas infundadas à imparcialidade do trabalho que muitos os tentarão gravar. Não recuem com as ameaças dos que bravejam sabedores do iminente muro do fim da linha. Policiais científicos, cumpram sua nobre missão legal de fornecer subsídios robustos às densas denúncias que se seguem. A população que cultiva a moralidade está ao lado de vocês.

Ao Ministério Público Federal, em especial aos membros da competente força-tarefa de Procuradores da República, sigam inabaláveis destrinchando a complexa teia de pornográficos acordos entre governos e particulares. Capitaneiem a difícil arte de traduzir a vulgar linha de pensamento dos ávidos bandidos do dinheiro público para a escorreita técnica jurídica, de sorte a não oferecer fendas interpretativas para os que que trabalham pela impunidade em troca de polpudos honorários financiados pelo metal de origem ilícita. Caminhem com a reconhecida coesão de pensamentos, fator determinante para que as tentativas de desqualificação pelos usurpadores dos bens públicos e sua claque de beneficiários não passem de tambores surdos, que ressoam com defeito para a maioria. A grande parcela do bem está vogando nas mesmas águas, aprendendo e se politizando com o exemplo de um serviço público elegante e inteligentemente realizado.

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Reverências, ademais, ao trabalho honesto e incansável do probo e estudioso Juiz Federal Sergio Moro, bússola ética da maioria até outrora descrente em mudanças e punições num país cujo amealhar para si o alheio era a regra de conduta até então. Solidarizamo-nos com a postura corajosa, destemida e igualitária no tratamento aos acusados de todos os matizes. Numa sociedade na qual alguns se consideravam intocáveis, seu modo de condução imparcial, com base apenas na técnica processual, reforça o ideal de impessoalidade que deve nortear qualquer fato ou ação públicos. Não retroceda, tampouco desanime com as pedras a serem espalhadas no caminho da justiça pelos que estão vendo seus imorais elos que misturam interesses públicos e privados sendo podados. É o desespero de uma casta que se julga especial, mas somente contribuiu para aprofundar as cicatrizes de um país adoentado pela imoralidade. Siga em frente, pois a grande maioria que o apoia quer apenas que a lei valha para todos.

A Operação Lava-Jato, esperamos, será apenas a primeira martelada para insculpir moralidade, impessoalidade e transparência na coisa pública e na sensação de que a lei é geral e abraça a todos.