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Mérito e acesso à educação: prefeitos, vamos fazer algo diferente e dar oportunidade?

por Renaite Paulista

 

Circula pelo maravilhoso mundo da internet um post de uma juíza integrante da Associação dos Juízes para a Democracia defendendo que, não obstante suas doze horas de estudos por dia, a grande razão da sua aprovação como juíza no Paraná em um disputado concurso publico foi o fato de ter “saído na frente da vida”. Sair na frente da vida, no caso, equivale a ter tido uma educação e cuidado dos pais na sua formação, bons colégios, alimentação adequada, cursos, enfim, apoio para desenvolver suas aptidões.

No texto, ela procura minimizar seu mérito e esforço próprio. E esse combate ao mérito, ao esforço pessoal, não é bom em um país como o nosso, acostumado a compadrios, indicações políticas, arranjos não republicanos e pequenos favores, ou seja, exatamente o contrário da meritocracia.

Os grandes países do mundo, as grandes sociedades, se desenvolveram e reduziram a pobreza pela soma dos esforços. De uma maneira simplista, a soma dos esforços individuais de cada um impulsiona uns aos outros a melhorar cada vez mais. São as pessoas, com sua produção, com seu suor, com sua dedicação que criam bens, serviços, que criam riquezas. O Estado, em regra, apenas redistribui essa riqueza gerada. Isso quando o faz, na imensa maioria das vezes de forma inadequada, redundando na política de compadrio e privilégios mencionada acima. Se não houver esforço das pessoas, tende-se a produzir menos, termos mais pobreza. O reconhecimento e valorização do mérito ajudam a diminuir a pobreza.

No caso especifico da juíza, por exemplo, deve-se ressaltar que muitas outras pessoas também tiveram a mesma formação que ela e não foram aprovadas como juízes. Trata-se de um concurso difícil, com pouquíssimas vagas para a quantidade de inscritos. Portanto, há sim um grande componente de mérito, e o esforço de várias pessoas faz com que os juízes aprovados, após essa competição, tenham em principio uma melhor formação teórica e conhecimentos do sistema legal, ao menos formalmente.

Contudo, deve ser reconhecido que a quantidade de pessoas, tais como ela, que tiveram acesso a uma boa formação é pequena em relação à quantidade de pessoas que habitam nosso retumbante pais.

No fundo, portanto, o que deveria ser buscado na nossa sociedade é uma maior igualdade de oportunidades, ou seja, a maior quantidade possível de pessoas terem instrumentos, condições de competição as mais parecidas possíveis, tal como acesso a educação, cuidado, saúde, alimentação adequada, para, com base em seus esforços, produzirem cada vez mais e melhor. Nesse ponto, o ambiente escolar é fundamental.

Igualmente, sabe-se que há uma grande diferença de escolas privadas e públicas no país, bem como de seus alunos: as primeiras tendem a dar uma formação teórica mais completa, ao passo que seus alunos em geral têm uma melhor alimentação e saúde. O autor reconhece, por exemplo, que se uma criança ou jovem não tem uma alimentação adequada e um mínimo de saúde fica difícil exigir que o cérebro trabalhe, que haja uma razoável absorção de conhecimentos.

Muito se discute em como melhorar a escola pública, os salários, formação e incentivos dos professores, mas infelizmente a dominação esquerdista e retrógrada dos colégios públicos e administradores ligados a educação pública, que insistem em bater na tecla do “público, gratuito e de qualidade”, sem enxergar que o Estado não é talhado para exercer essa tarefa com o sucesso esperado, dificultam muitas das tentativas de modernizar e melhorar a escola e os professores.

Por outro lado, reconhece-se que as escolas privadas tendem a produzir melhores resultados.

Porque então, tendo em vista que há boas escolas privadas e a dificuldade de mexer nas públicas, o Estado não chama as escolas privadas para ajudar na educação de todos?

Será que uma instituição privada não poderia administrar um colégio público, com suas regras e sua forma de administrar, propiciando ainda alimentação e saúde adequadas? O estado não poderia pagar um valor X para cada aluno, que teria um componente variável se os alunos produzissem mais?

Ou ainda, caso algumas escolas privadas tenham espaço, não poderia o estado pagar a matricula de alguns alunos para que eles estudassem em escolas privadas?

Os dois exemplos citados acima são utilizados em alguns estados americanos e em alguns países da América Latina (Colombia) e Europa (Holanda, por exemplo).

Obviamente os modelos tem que ser adaptados as realidades culturais e legais de cada país, mas será que não vale a pena tentarmos algo diferente?

Proximamente teremos eleições municipais. Será que os candidatos da principal metrópole brasileira, que influenciam muito todos os municípios, não topariam se comprometer em tentar algo assim?

Em Goiás, por exemplo, a secretária de Educação esta testando alguns modelos de uma maior participação privada na educação.

Senhores candidatos e equipes, queremos ouvi-los.