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A nova peripécia de Lula

por José Licínio

 

Há algumas semanas, o bomsenso.org registrava que Lula fizera o diabo para que as investigações a seu respeito fossem para o Supremo. Tudo isso com o objetivo final de ganhar um precioso tempo, ao que parecia, sem grandes efeitos colaterais.

Mas o tempo perdido pela Justiça vem sendo recuperado aos poucos. As investigações relacionadas ao ex-presidente, que haviam sido baixadas à Justiça Federal do Paraná pelo Supremo, caminham bem: as provas relacionadas às vantagens auferidas de empreiteiras, como o sítio e o Triplex, estão se aprofundando.

Certamente por isso, veio uma nova peripécia. Lula recorreu ao Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas contra o juiz Sérgio Moro e os Procuradores da República da Lava Jato.

A razão? A mesma ladainha de antes: esperneou contra a sua condução coercitiva para depor e contra a divulgação de diálogos seus interceptados legalmente. Insinuou ainda a parcialidade de Sérgio Moro.

É importante esclarecer que a aceitação da reclamação pressupõe o esgotamento de todos os recursos internos disponíveis, ou seja, que os processos que correm na Justiça Brasileira sejam todos encerrados, com trânsito em julgado, o que, é clarividente, não ocorreu. A viabilidade da medida, assim, é bastante questionável.

Mas não somente: a ONU não tem o poder de reverter decisões da Justiça Brasileira.

A reclamação junto à ONU, em verdade, revela claramente a intenção de constranger os profissionais que atuam na Operação Lava Jato.

Ora, Lula sequer foi denunciado à Justiça no caso das supostas vantagens auferidas de empreiteiras. E, acaso o seja, terá plena oportunidade de se defender no curso da ação penal e terá, ainda, muitos recursos disponíveis, se for condenado.

Aliás, vale lembrar, que o ex-presidente obteve uma expressiva vitória na Justiça Brasileira: o Supremo invalidou como prova a interceptação do famoso telefonema do “tchau, querida”, aquele famigerado diálogo entre ele e Dilma, em que esta dizia a Lula que lhe estava enviando o termo de posse como ministro para que ele o usasse “em caso de necessidade”. A anulação dessa prova certamente inviabilizará a demonstração do embaraço das investigações por criador e criatura, livrando-os de uma ação penal.

A estratégia de expor o Estado Brasileiro na esfera internacional revela desapreço pelas instituições brasileiras por aquele que outrora gozou de grande popularidade. E que, embora a tenha perdido consideravelmente, continua se reputando acima dos demais cidadãos. Ironicamente, alguém que sempre se apresentou como “do povo” buscando incansavelmente regalias e proteções dignas dos grandes senhores feudais da Idade Média.

Mas parece que as coisas não caminharam como a defesa do ex-presidente esperava. No mesmo dia da peripécia junto à ONU, outro magistrado federal brasileiro, de Brasília, recebeu a denúncia em que Lula é acusado juntamente com Delcídio do Amaral e outros por embaraçarem investigações sobre organização criminosa mediante inclusive a tentativa de “compra do silêncio” de Nestor Cerveró.

Felizmente as instituições brasileiras são muito maiores que o líder populista.