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Leonardo Sakamoto quer que a doutrinação ideológica continue inabalável, desde que seja de esquerda

Por Niquilauda Regazzoni e Romildo Perez

O articulista e “cientista” social, Leonardo Sakamoto, já dedicou sua coluna, em duas oportunidades, para atacar as ideias veiculadas pelo movimento Escola Sem Partido – ESP.

Antes de tratarmos especificamente dos graves “equívocos” (alta carga de ironia aqui) cometidos pelo blogueiro em sua argumentação, vale traçar um breve perfil do movimento – com o qual nós do BomSenso, aliás, não temos qualquer vínculo, tampouco compromisso de apoio às medidas por eles propostas.

O ESP é uma organização não governamental criada para combater a instrumentalização do ensino para fins políticos, ideológicos e partidários. Dentre os objetivos do movimento estão: a “descontaminação e desmonopolização política e ideológica das escolas; o respeito à integridade intelectual e moral dos estudantes e o respeito ao direito dos pais de dar aos seus filhos a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções”. No site do ESP há um espaço inteiramente dedicado a depoimentos de estudantes que foram expostos a doutrinação ideológica em seus respectivos cursos ou até mesmo alvo de preconceito e perseguição no meio acadêmico pelo fato de terem visões de mundo distintas das de seus educadores. Há alguns relatos estarrecedores e com os quais muitos leitores poderão se identificar, por terem vivenciado experiências parecidas em suas vidas estudantis.

Dito isso, Sakamoto instalou uma verdadeira cruzada contra o movimento. Diz o “intelectual”: “A doutrinação na educação é um bichinho pequeno, mas o Escola Sem Partido joga um forte holofote sobre ele e pede que olhemos a sombra – monstruosa, assustadora – projetada na parede.”

Em linhas gerais, são dois os principais argumentos empregados por Sakamoto para sustentar sua posição: 1) que não há indícios de doutrinação ideológica sistemática nas escolas do país, mas sim fatos isolados dentro de um espectro de milhões de alunos na rede regular de ensino; e, 2) que a desvinculação do ensino a determinada carga ideológica implica numa esterilização do debate e na criação de estudantes sem senso crítico e sem qualquer compromisso com o avanço civilizatório (sem dizer exatamente o que seria isso).

Enfrentemos cada um desses argumentos, pois:

 

  1. Não há indícios de doutrinação ideológica sistemática nas escolas brasileiras

Será mesmo?

Não é necessário realizar estudos muito profundos para perceber que particularmente o ensino médio e os cursos superiores do nosso país, com especial ênfase nas cadeiras das ditas “ciências humanas”, são um terreno fértil para o esquerdismo mais rasteiro. Isso nada mais é do que reflexo de quase meio século de cartilha Gramcista aplicada em todos os ramos do conhecimento em solo nacional.

Nestes locais, onde deveria imperar a mais absoluta pluralidade de ideias, o debate é sistematicamente tolhido por conta de atitudes fascistas de pessoas que se julgam moralmente superiores, que acham que podem calar as vozes dissonantes, pois se julgam defensores de um “bem maior”, se apresentando praticamente como monopolistas da virtude e do correto.

Ambos os autores desse texto sentiram na pele esse modus operandi durante os anos de Faculdade de Direito da USP. A seguinte frase de Steve das Arcadas, nosso contemporâneo de San Fran e colega no BomSenso, resume o pensamento predominante no meio acadêmico há muitas décadas: “é errado ser humano; o certo é ser comuna”.

Exemplo de democracia e civilidade na Universidade Pública

Exemplo de democracia e civilidade na Universidade Pública

Há muitas outras histórias para contar, mas como o espaço aqui é limitado, deixamos o convite para que o leitor ouça um dos nossos próximos podcasts em que contaremos alguns bons “causos”.

Dando de ombros para essa realidade incontornável, Sakamoto lança mão do velho argumento de atribuir a seu opositor uma característica do próprio atacante: “A reportagem também mostra que de ‘Sem Partido’ o ESP não tem nada. O levantamento dos projetos de lei inspirados nas ideias do movimento mostra um claro predomínio dos partidos de direita e de centro. O campeão é o PSC, com cinco proponentes. Outro dado que ilustra o caráter “independente” é a vinculação religiosa: 11 dos 19 proponentes de projetos inspirados pelo ESP são ligados a alguma igreja.”.

Ou seja, Sakamoto só é contra a doutrinação político-partidária ou ideológica quando ela envolva partidos ou ideologias que ele não apoie.

Como o bravo já declarou repúdio à chamada “bancada evangélica” em muitas oportunidades em suas colunas, chamando-os de “fundamentalistas”, não nos admira que ele use esse argumento “ad hominem” para tentar enfraquecer a força de movimentos contrários às suas opiniões.

Ironicamente, ao combater o movimento Escola Sem Partido, Sakamoto usa técnicas muito comumente usadas pelo esquerdismo: rotula o movimento de “fundamentalista”, de “partidário”, e ataca seus apoiadores pessoalmente, em vez de combatê-lo usando argumentos e lógica.

Em paralelo a isso, um outro aspecto que Sakamoto não aborda e seus textos – quem sabe pelo fato do próprio ESP não tratar do tema – é a necessária distinção entre ensino público e privado e sua vinculação ideológica ou partidária.

Coerentes ao ideal liberal que nos propomos a defender, nós do BomSenso entendemos que a liberdade de escolha deve também ser assegurada no setor da educação, mas limitada àquela oferecida pela rede particular. Não vemos problema em se oferecer para quem se dispuser a pagar ensino básico, fundamental, médio ou superior com viés religioso, ateu, comunista, socialista, capitalista ou qualquer outro “ista”, desde que não faça apologia a crime (nesse contexto, o ensino de viés nazista, por exemplo, não poderia ser permitido). O que não é possível tolerar, por outro lado, é que o ensino público, custeado com o dinheiro do contribuinte, sem qualquer margem de escolha na definição de seu conteúdo, seja carregado de carga ideológica ou partidária, seja ela qual for.

 

  1. A desvinculação do ensino a determinada carga ideológica implica numa esterilização do debate e na criação de estudantes sem senso crítico

Mais uma vez, o argumento é falacioso e insinua que a desvinculação do ensino a alguma carga ideológica implicaria em desestímulo ao debate e ao intercâmbio de ideias, quando na verdade o que se busca com essa dissociação é exatamente o contrário.

O grande problema aqui é que Sakamoto, como todo professor esquerdista, acredita que educação para “conscientizar” é sinônimo de doutrinação política de viés marxista. Falar sobre uma educação para formar “cidadãos” ou “construir um senso crítico e questionador sobre o poder” é muito bonito em tese, mas na prática sabemos que isso acaba sendo pretexto para pregar as maravilhas do “socialismo” para uma multidão de jovens que não têm a bagagem teórica para combater essas ideias com argumentos sólidos.

Será que Sakamoto consideraria “conscientizado”, um estudante secundarista que compactua com as ideais de Mises, Hayek e Bastiat, por exemplo?

Na prática, a doutrinação ideológica no ensino médio e superior tem criado uma legião de “zumbis” travestidos de militantes políticos, trajando camisetas vermelhas e pregando a “revolução”. Basta frequentar qualquer faculdade de ciências humanas do país. Consulte a grade curricular de um curso de história, geografia, ciências sociais, filosofia, dentre outros. Quais são as obras recomendadas pelos professores? Qual a orientação política dos autores dessas obras? Há espaço para textos e autores dissidentes, que oferecem visões de mundo completamente diferentes da retórica marxista? Sabemos que, na maioria dos casos, a resposta é não.

Não seria justamente esse alinhamento e nivelamento dos estudantes a apenas um ponto de vista que criaria a tal geração pasteurizada de tijolos na parede da qual o autor tanto fala?

Na verdade, a tal pluralidade de ideias que o autor tanto propaga somente virá se deixar de haver patrulhamento e doutrinação. De esquerda ou de direita.

Mas todos sabemos muito bem que não é exatamente isso que quer o nosso “amigo” (mais ironia aqui) blogueiro.

Nos parece inadmissível ver o dinheiro público sendo empregado para veicular ideologia na escola pública. Não há argumento razoável que sustente essa posição.

Quer ver seu filho estudando com base em ideais marxistas, xintoístas, kardecistas ou da escola austríaca? Sem qualquer problema. O ensino privado está ai para isso.

Com o dinheiro do contribuinte, não mesmo.