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Olimpíadas: ir ou não ir? Eis a questão

por Sergiomar Tanga Frouxa, o Isentão

 

A difícil e triste a situação enfrentada pelo Rio de Janeiro – que culminou com o recente decreto de calamidade pública – reacendeu o debate acerca da realização dos Jogos Olímpicos na cidade.

 

O número de desistências e de ingressos cancelados aumenta a cada dia. Como eu não sou do tipo que se omite em se posicionar sobre os mais variados assuntos, a convite do BomSenso.org enfrentarei o tema de muito bom grado.

 

Como homem de opinião contundente, mantenho-me firme na convicção de que as Olimpíadas podem colocar o Brasil num outro patamar, tanto no âmbito esportivo quanto no tocante à capacidade de organização de grandes eventos.

 

A Copa do Mundo de 2014 foi um enorme sucesso, movimentou o comércio e a indústria hoteleira de forma nunca antes vista no país. Não há qualquer razão para se duvidar da repetição desse mesmo fenômeno em 2016. O Rio de Janeiro continua lindo e certamente atrairá inúmeros turistas, inclusive famílias, dissociando a imagem de destino clássico de alemães e italianos ávidos por turismo sexual. Isso não quer dizer que a prostituição deixará de lucrar com o evento – pelo contrário, mas sim que outros segmentos dele também poderão se beneficiar. Gostaria de deixar claro, todavia, que minha frase não deve ser lida ou interpretada como fazendo apologia ao sexo pago, absolutamente. Que fique o registro.

 

Não podem ser desprezados, ainda, os maciços investimentos públicos realizados para viabilizar a realização do evento, bem como o imenso legado que será deixado para a cidade, comparável apenas às Olimpíadas de 1992 em Barcelona. O Poder Público, das três esferas, é merecedor de elogios.

 

Logo, a realização dos Jogos Olímpicos tem meu apoio irrestrito e incondicional.

 

Por outro lado, compreendo o lado daqueles que advogam pela devolução de ingressos e até mesmo pelo cancelamento dos Jogos.

A cidade notadamente não conseguiu executar as obras de infraestrutura necessárias à boa realização do evento. A baía de Guanabara está extremamente suja e poluída, trazendo inclusive riscos à saúde dos atletas. As obras de mobilidade urbana não foram entregues a tempo e aquelas que o foram funcionam com inúmeras restrições.

 

Além disso, há instalações ainda não acabadas e que certamente serão entregues em condições aquém das ideais.

 

Não bastasse isso, a questão da segurança é preocupante, com registros recorrentes de roubos, furtos, homicídios e arrastões na cidade. A própria polícia tem veiculado protestos alertando a comunidade internacional de que não garantirá a segurança do evento. Há rumores inclusive da possibilidade de ataques terroristas arquitetados pelo Estado Islâmico.

 

Nota-se, pois, a mais absoluta incompetência e falta de comprometimento do Governo, em todas as esferas, com a realização do evento, que pode, nesse contexto, ser encarado como um grande desperdício de recursos públicos. Uma lástima, realmente, considerando todo o potencial que tínhamos para realizar Jogos dignos dos melhores da história.

 

Dito isso e como não fujo da raia, resta evidente minha posição contrária às Olimpíadas do Rio de Janeiro.

 

Enfim, essa é a minha opinião. Ou não. Sei lá.