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A relativização do errado

por Leôncio Custódio

 

Fenômeno vivido especialmente na última década no Brasil, mas que vinha cavando seu leito desde os anos 60, vide a “doutrina Paulo Freire” de monopólio de ideias esquerdistas para grades curriculares em todo ensino do país, a tentativa de transformar qualquer conduta em situação de normalidade começou muito tempo antes, principalmente na Europa.

Após o colapso dos regimes comunistas do pós guerra, com seus marcos mais conhecidos, o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, e a implementação da Perestroika e Glasnost no governo de Gorbachev, levando como corolário à queda do Muro de Berlim e o fim da divisão da Alemanha, a Velha esquerda viu-se órfã.

Como parênteses, chamo de “velha esquerda” aquela moldada no período entre guerras nos Estados Unidos e Europa, e após Getúlio Vargas e 1964 no Brasil. Caracterizava-se pelo embate dicotômico entre capitalistas x comunistas, pela tentativa clara de pegar em armas e “fazer a revolução do proletariado”, assumindo o controle do Estado e suas instituições com o propósito fim de coletivizar as propriedades, produção e trabalho, criando uma casta gerencial que, com o fim das liberdades individuais, imporia uma agenda única e planificada que controlaria todo funcionamento de um país.

Toda essa engrenagem para esmagamento da sociedade ocidental e seu modo de evolução, que desde a Grécia antiga com sua inovadora democracia, passando pela Roma clássica e o cogente Direito Civil, pela Inglaterra medieval e a limitação do absolutismo monárquico, até chegar nos Estados Unidos e sua tripartição de poderes com o perfeito sistema checks and balances, deveria ser desconstruído para que o poder, segundo propalavam, ficasse com o povo. Era uma época de industrialização forte e sindicalismo incipiente, em que a esquerda se arvorou nos escritos de Karl Marx para justificar a tática de enfrentamento, luta e destruição.

Não conseguiram. Mas, infelizmente, não desistiram.

A “nova esquerda”, com os inúmeros malogros mundo afora de suas tentativas de comando de nações – todas terminando pobres e tecnologicamente defasadas – percebeu que a forma de conquistar havia mudado. Nada mais de guerras, golpes e manutenção de poder pelo medo e força.

Se antes Marx, com sua revolução pelo proletariado era o guia, a esquerda moderna passou a usar os preceitos descritos por Gramsci, de erosão paulatina das bases da sociedade ocidental.

Antonio Gramsci, filósofo italiano nascido no final do século XIX, foi membro militante do Partido Comunista em seu país. Bebeu da fonte marxista, mas desde cedo percebeu que o enfrentamento direto tenderia à derrota das esquerdas. Desta forma desenvolveu uma teoria de dominação interna, através da mudança de costumes com a relativização de condutas que levassem as gerações futuras a não mais crer no errado, havendo apenas diferentes formas de se ver um assunto. É a implosão dos pilares da sociedade democrática como a conhecemos, por uma ingerência cultural para criar várias verdades.

Ao apresentar várias versões para mesmas situações quer se fazer crer que todas podem ser aplicáveis e, portanto, todas seriam aceitas, por serem certas. Ninguém está errado. Não há moralidade média. Não há costumes que chocam. Há formas diversas de fazer as coisas e todos devem aceitar.

O que assistimos hoje, tais como orgulho do comércio do corpo, defesa intransigente do ilícito, glamourização do relacionamento efêmero, exacerbação de uma sexualidade precoce, são nada mais do que facetas da aplicação da dominação cultural pela esquerda, que, de tanto se repetir, passa a ser normal e aceitável. Aqueles que se levantam contra, logo são rotulados como reacionários, fascistas e muitos adjetivos mais, todos seguidos de “fóbicos”. Não há espaço para contestação, devendo a aceitação ser global de qualquer conduta.

Passadas algumas gerações já não sobraria campo para posicionamentos contrários, eis que todos teriam sido criados na vigência do afrouxamento dos costumes.

Felizmente ainda há resistência entre os que, com Bom Senso, não aceitam a colocação a fórceps da pauta da degradação moral da sociedade.

Façamos a nossa parte, pois. Revoltemo-nos com essa agenda de erosão ética que a esquerda quer manipular para tentar aplicar sua agenda. A briga será intensa, mas a verdade, o correto e o justo jamais serão relativizados.