Sign up with your email address to be the first to know about new products, VIP offers, blog features & more.

Mau Negócio

 

Por José Licinio

 

O Brasil vem sendo palco de grandes eventos esportivos nos últimos anos. Motivo de alegria para os amantes do esporte, mas de desfalques ao patrimônio público brasileiro com pouco retorno para a população.

O Pan-Americano de 2007 no Rio de Janeiro custou aos cofres públicos, federal, estadual e municipal, R$ 3,3 bilhões, valor 9 vezes superior ao inicialmente orçado.

O legado foi pífio. O evento pouco deixou de melhorias em infraestrutura. Mesmo as instalações esportivas se tornaram muitas delas subutilizadas após os jogos. Não foi o caso do Maracanã, que foi reformado para o PAN. Mas depois teve que passar por profunda reforma para a Copa de 2014, por R$ 1,050 bilhão. O velódromo, que custara R$ 14 milhões, não atendia às exigências para as Olimpíadas de 2016 e, por isso, foi demolido. Um novo foi construído ao custo de R$ 134 milhões.

A notícia, em 2009, de que o Brasil sediaria a Copa do Mundo de 2014 foi recebida com festa pelo povo, então entorpecido com o populismo lulista.

O custo da realização da copa alcançou mais de R$ 27 bilhões. Apenas para a construção e reformas das arenas, o BNDES financiou 3,815 bilhões (todas, exceto a de Brasília), de um total de 8,333 bilhões gastos com os palcos dos jogos. E, de fato, o que realmente melhorou foram os estádios. Porém, a maioria deles é hoje deficitária. Os elefantes brancos de Manaus, Natal, Cuiabá e Brasília não são utilizados regularmente. O último foi o estádio mais caro da copa – R$ 1,4 bilhão, todo bancado com recursos do Distrito Federal e, atualmente, é usado vez ou outra para partidas de times principalmente cariocas.

Os projetos de mobilidade urbana, orçados em R$ 8,7 bilhões, também não se tornaram um grande legado, ao contrário do propagado pelos governos quando os anunciaram. A maior parte das intervenções se deu nas cidades sedes e para facilitar o acesso às arenas: não houve melhorias sistemáticas. E há obras inacabadas, como o vergonhoso VLT de Cuiabá. A implementação deste modal, que deveria ter ficado pronto para a Copa 2014, foi inicialmente orçada em R$ 1,477 bilhão. As obras estão há mais de ano paradas e estima-se que mais R$ 602 milhões ainda serão necessários para a conclusão.

As olimpíadas 2016 sao iminentes – iniciam-se em 5 de agosto. Seu custo estimado é de R$ 39,1 bilhões. Fala-se em 60% bancado pela iniciativa privada. E R$ 15,64 bilhões de investimentos públicos. Apesar dos vultosos valores envolvidos, os atletas dos esportes aquáticos nadarão no cocô: a despoluição da Baía de Guanabara ficou na promessa. A linha 4 do metrô, que liga a zona sul à Barra da Tijuca, não ficará pronta a tempo. A ciclovia da Avenida Niemeyer, que custou R$ 44,7 milhões aos cofres públicos, tornou-se literalmente um desastre.

Os gastos altíssimos para o Pan 2007 e para a Copa do Mundo 2014 não se reverteram em aprimoramento relevante da infraestrutura, tampouco em aumento da atratividade do país para turistas e investidores.

Certamente com as Olimpíadas 2016 não será diferente. E pior: atletas estrangeiros já sofrem com a sujeira da Baía de Guanabara e com os tiroteios pela cidade. Sinal de que há riscos de piora da imagem do Rio e do Brasil quando os olhos do mundo estiverem focados por aqui.

Os enormes gastos para a realização, em menos de uma década, de grandes eventos esportivos definitivamente não são um bom negócio para o Brasil.