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Falácias da Esquerda Volume I: “A esquerda é do bem!”

Por Simão Cireneu

É típico da mentalidade esquerdista considerar-se “do bem”. Não como apenas um grupo “do bem” entre muitos outros, mas como detentores do monopólio da bondade mundial.

“Nós” – pensa um esquerdista – “nós temos ‘consciência social’. Queremos o bem da sociedade. Queremos o fim da pobreza. Só nós nos preocupamos com os pobres, com as minorias, com os oprimidos. ‘Eles’, as elites, a classe média, os burgueses, a direita, os conservadores, os neoliberais, os donos do capital, eles só pensam nos próprios umbigos, são todos maus.”

Em primeiro lugar, esse tipo de pensamento binário é deveras simplista e ignora a premissa básica de toda ciência cujo objeto de estudo é o ser humano: os seres humanos são complexos e, na maioria das vezes, ambivalentes. Pensar no “homem bom” remete à ideia anacrônica de Rousseau, segundo a qual todo ser humano nasce “bom” e é corrompido pela sociedade. A esquerda adora Rousseau, mas ignora o fato de o conhecido filósofo ter sido um tremendo sociopata, totalmente desprovido de compaixão, assim como outros ícones da estirpe de Che Guevara, Lênin, Stalin, Mao, Fidel Castro, etc.

Sabemos que o homem nasce humano, e que “bem” e “mal” carregam consigo carga axiológica, ou seja, juízos de valor atribuídos pelo homem em determinado tempo e espaço. Tiremos o homem de sua função de observador e julgador dos fatos do dia-a-dia, e o mundo tornar-se-ia imediatamente neutro. O valor não está na coisa em si, mas no juízo daquele que a observa e valora. O homem é, antes de tudo, um ser valorativo. E a valoração é eminentemente subjetiva. Como seres moldados pelo convívio social, desde o nascimento absorvemos valores culturais cultivados (notem que a raiz é a mesma) pela maioria da comunidade em que estamos inseridos. Na nossa sociedade, não roubar é um mandamento moralmente esperado, que empiricamente se mostrou eficaz para a manutenção da paz social. Já nas sociedades Vikings, pilhar e saquear eram atividades não só aceitas, mas também incentivadas pela comunidade.

Influenciada pela moral judaico-cristã, pelo direito romano e pelas filosofias grega e alemã (os maiores inimigos da esquerda, depois da família), a sociedade ocidental desenvolveu determinados juízos de valor sólidos, como o direito à vida, à dignidade, à liberdade de pensamento, o princípio da não-violência, etc. E tais juízos de valor se mantêm, de regra, constantes e uniformes, salvo exceções pontuais bastante controversas (pena de morte, aborto, eutanásia, guerras, etc.). Ninguém – ou quase ninguém – da sociedade ocidental questiona a validade de alguns juízos de valor quase absolutos, vistos como bens em si mesmos, como é o exemplo da proteção à vida.

Ao pregar o “bem” versus o “mal” à sua maneira, a esquerda se contradiz. Propõe juízo de valor absoluto (“nós = bem” versus “eles = mal”), ao tempo em que na maioria das situações a esquerda relativiza todos os valores. “Bem” e “mal” passam a ser conceitos fluidos e maleáveis, sujeitos à conveniência de cada momento. Nada é bom ou ruim em si, de forma transcendente e absoluta. Para a esquerda, algo é “bom” quando pode ser utilizado como meio ou instrumento capaz de alcançar determinado fim. Da mesma forma, se algo dificulta ou impede a esquerda de atingir seus objetivos, automaticamente é classificado como “ruim”. E muitas vezes, um mesmo fato pode ser considerado “bom” pela esquerda, em determinado momento, e “ruim” quando não mais for conveniente.

Um exemplo típico é a relação da esquerda com o capital. Tido como o grande vilão de todos os tempos, causador das desigualdades sociais, do imperialismo, do colonialismo, da exploração, da miséria do homem e do eterno 7×1 (“capital é do mal”), o capital é cinicamente muito bem recebido pelos partidos de esquerda, desde que sejam úteis a algum objetivo. Milagrosamente o capital se torna “do bem”. No caso do Brasil atual, desde que seja útil à manutenção de um projeto de poder. Com o Mensalão e a Lava-Jato veio à superfície a relação espúria entre partidos de esquerda – primordialmente o PT – com diversas empreiteiras, que distribuíam montanhas de dinheiro ilegalmente, tanto para campanhas eleitorais quanto para a satisfação de desejos pequeno-burgueses dos detentores do poder, como viagens de luxo e vinhos raros.

Outro exemplo é a postura da esquerda em relação à imprensa. Quando algum jornal fala bem da esquerda, é “democrático”. Quando o mesmo jornal fala mal da esquerda, é “golpista”, “coxinha”, “fascista”. A revista americana The Economist foi aplaudida pelos petistas quando noticiou, há alguns anos, que o Brasil estaria decolando. Recentemente, ao informar que o país estava – como de fato está – afundando, a revista logo voltou a ser “porta-voz do imperialismo e colonialismo americano” que serve aos interésses (leia com sotaque de Ciro Gomes) do capital – aquele mesmo por quem a esquerda nutre amor ou ódio, dependendo da utilidade que dele obtém.

Um último exemplo: a privatização, quando feita pelo PSDB (um partido enrustido de esquerda) vai contra o “interesse nacional” – como se a nação possuísse capacidade volitiva, da mesma forma que os indivíduos que a compõem. Mas quando as privatizações são feitas pela esquerda, mesmo que com outros nomes, como “concessões”, automaticamente se tornam “do bem”.

Em suma, a esquerda não é “do bem”. A esquerda é um camaleão utilitarista e sem escrúpulos, capaz de fazer tudo para alcançar seus objetivos. Para a esquerda, os fins justificam os meios. Eis o cenário apto ao surgimento de uma frase do tipo “nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”, proferida pela ex-presidente Dilma. Para a esquerda, vale tudo. Ou nada. Depende. Abordaremos a relação da esquerda com as minorias “oprimidas” em breve.

A esquerda infelizmente tem obtido sucesso, ao longo das últimas décadas, em passar a imagem de que seria “do bem”. Pessoas com pouca (in)formação caem facilmente nesta lorota. Muitos artistas desinformados e aparentemente bem-intencionados acabam defendendo a esquerda sem reconhecer seu verdadeiro modus operandi. Nomes consagrados como Bono Vox ou Sean Penn passam vergonha alheia ao bajularem publicamente, respectivamente, Lula e Maduro. Wagner Moura é um excelente ator, mas um péssimo analista político. Considerando a influência que exercem sobre a massa, os artistas deveriam ter mais responsabilidade e reflexão sobre as opiniões que emitem. Não é à toa que a maioria da classe artística é cooptada pela esquerda, como instrumento útil, muitas vezes novamente por meio do “vilão” capital – vide Lei Rouanet. Muitos jovens em formação, ao verem seus ídolos defenderem que a esquerda é “do bem”, decidem aderir ao movimento pelo sentimento de pertinência, de fazer parte de algo. A psicologia explica. Afinal, quem não quer ser “do bem”?

Nós somos do bem!

Nós somos do bem!

Pois bem, está na hora de desmascararmos a esquerda de uma vez por todas.  Toda vez que um esquerdista se apresentar como “do bem”, fale que “Do Bem”é nome de suco. Pergunte a ele sobre os 100 milhões de seres humanos que foram mortos por regimes comunistas no século XX. Ou sobre os negros e homossexuais que foram perseguidos pela turminha do Che Guevara. Ou por toda a grana que o PT embolsou e/ou desviou.

É chegada a hora do confronto. Como diz o ditado, “contra fatos não há argumentos”, a despeito do tanto de maquiagem que a esquerda tenta derrubar sobre a realidade.

Deleite-se ao desmascarar um esquerdista. Mostre a contradição em seus argumentos, o duplo padrão moral, o relativismo, o utilitarismo. É bem divertido. Faça-o sempre com civilidade e bom humor. E com relação aos artistas, não deixe de ouvir U2, assistir filmes do Ryan Gosling ou do Wagner Moura. Só não dê muita bola para o que eles falam fora dos palcos ou das telas. É medida de bom senso. Assim como não pedir a opinião de um profissional de TI quando aparece uma íngua na sua virilha.