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Reformas de Tolo e o Fundo do Poço

Só Leva 30 anos pra arrumar (parte 1)

Um respiro de sobrevida, mas seguimos à deriva.

Vivemos momentos de turbulência no país. Depressão econômica, imbróglio político, um arrastado e cansativo processo de impeachment e um governo Temer que iça velas na tormenta e cheio de sabotadores à bordo. Ministros investigados pela Lava Jato, um rombo monstro nas contas públicas, gravações comprometedoras envolvendo as caciques do PMDB etc. Salvo as sensatas medidas de saneamento econômico propostas por Henrique Meirelles e equipe, um cheiro de governo Sarney paira no ar.

De qualquer maneira, há uma melhora imediata que não pode ser subestimada. A retirada do PT do governo significa a desaceleração do processo de venezuelização, pré-requisito para que qualquer melhoria possa se manifestar no Brasil.

c547d48e-cf8b-4128-ad75-10205fefec27_W_00960Mas não é caso para ufanismo e celebrações. Longe, muito longe disso. Para quem acredita que “agora vai”, ou para quem pede reformas significativas a curto prazo, digo: pode tirar o cavalinho da chuva. As forças do atraso que nos guiaram até o atoleiro presente continuam vivas e fortes. Se relaxarmos, voltaremos ao mesmo lamaçal do qual começamos a sair.

É urgente ter paciência e, antes de propor qualquer coisa, tentar entender como chegamos a tal estado de coisas. Só assim poderemos combater as reais causas do esfacelamento político, econômico, social, moral e educacional que vemos pelos quatro cantos do país. Só depois devemos falar em reformas (no decorrer do texto deixarei este ponto mais claro, mas tratarei primeiro dos alçapões reformistas que precisamos evitar).

O ouro de tolo das reformas de Salvação Nacional.

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No presente estado de insatisfação, para não dizer saco-cheio total da nação, o clamor popular é por mudanças. Fundamentais, amplas e radicais. Deste caldo em ebulição, borbulham inúmeros palpiteiros de plantão a vociferar suas versões de “solução para o Brasil”. Palavras e bordões são disparadas como balas de prata para resolver o drama nacional numa tacada só.

“Reforma política”, “Parlamentarismo”, “Federalismo”, “Voto Distrital” e por aí vai. Movidos pelas emoções e um justo senso de revolta, passamos a carregar as palavras com um peso emocional desmedido e defender frases de efeito que não passam de conceitos abstratos. Não sabemos sequer o que está sendo proposto e por quem. Que reforma parlamentarista é essa que o PSDB quer implementar? Que reforma “conservadora” (que de conservadora só tem o nome) é essa que prega Reinaldo Azevedo? Como afetariam a realidade do país se postas em prática? Isso ninguém parece se importar em responder, afinal, mudar é preciso. Intervir é preciso!Nestas horas, o que é preciso é muito, mas muito cuidado para não incutir no eterno cacoete vicioso nacional de correr para o Estado e pedir que intervenha para solucionar os problemas que o próprio Estado causou. Isso é receita certa para Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano Collor e fiascos semelhantes.

Temos, caro leitor, que ter paciência e analisar o que está sendo proposto e suas ramificações. Ideias e bandeiras como federalismo e o parlamentarismo devem ser discutidas sob um ponto de vista prático por meio de analises concretas de suas proposições e não como conceitos idealizados e vazios, discutidos de maneira ideológica e doutrinária.

Esta aí para quem quiser ver que o presidencialismo de coalisão da Nova República é falho, mas abrir a caixa de pandora da reforma política não é coisa pra ser feita a toque de caixa. Seria temerário fazer tal coisa neste ambiente.

Se estamos tão cansados e descrentes de nossa classe política, seria sábio pedir aos porcos que limpem o chiqueiro? Aprofundando a metáfora animal não seria na verdade entregar às raposas as chaves do galinheiro?

Ou, nas palavras de Bruno Garschagen:

“Mudança política sem uma prévia retomada ou reforma cultural beneficia circunstancialmente os agentes políticos dessa mudança”

É fundamental não enxergar no impeachment uma oportunidade para lançar uma cruzada Sebastianista de reformas. Se já percebemos que não existe nenhum Salvador da Pátria no cenário político, é imposição lógica que um grupo de políticos pinçados dos quadros atuais, reunidos para promover qualquer reforma política tampouco podem promover a Salvação Nacional (como se auto-rotulou o governo Temer, incorporando a nossa tara histórica pelo Estado Redentor).

Devemos ter uma agenda de curto, uma de médio e outra de longo prazo. E elas devem ser pautadas no entendimento de causas, não no combate paliativo dos efeitos. Do contrário, gastaremos muito esforço, tempo e dinheiro com mudanças que provavelmente se mostrarão inúteis ou deletérias. Podaremos as ervas-daninhas, mas preservaremos suas raízes para que brotem novamente com mais força.

Arte_Moderna_AntigaO fator mais importante, crucial na verdade, para melhorar o estado de coisas no Brasil é, paradoxalmente, de longo prazo e o mais urgente: o fim da hegemonia da esquerda nos meios acadêmicos, culturais e na mídia de massas. Isso só se dará com a restauração da alta cultura no Brasil e com o fim da prevalência do marxismo cultural, do relativismo artístico e moral e da ditadura do politicamente correto. Isso vai levar de 30 a 50 anos. Vivemos apenas o prólogo desta história que pode parar de ser escrita a qualquer momento se acreditarmos que “agora vai”. Não podemos cair em tamanho autoengano em função de alguma melhora na economia ou alguns políticos graúdos – Lula principalmente – indo para a cadeia.

Sem a continuidade e acirramento do combate no campo cultural não vejo como os passos mais pontuais de uma agenda de curto prazo (que o Bomsenso.org já abordou em editorial) e médio prazo (para um possível editorial futuro) possam ser dados com firmeza ou gerarem frutos duradouros.

Nossa longa viagem ao fundo do poço

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Durante 13 anos, o PT explorou todas as brechas existentes na Constituição de 1988 e principalmente atuou fora dela na tentativa de implantar um regime bolivariano de ambições autoritárias. Este modelo de corrupção como método, elevou o gangsterismo político a níveis nunca antes vistos. Eduardo Cunha é o exemplo mais patente disso. Adversário momentâneo do PT, Cunha é cria do modelo cleptocrata petista. Jamais teria o poder e influência que hoje possuí – com uma bancada enorme no seu bolso – não fosse o ambiente de vale-tudo que o PT promoveu na política nacional. Desde a posse de Lula e da implementação do mensalão, o PT vem legitimando e alimentando os apetites mais primitivos de vários “Cunhas” Brasil afora. É o neo-coronelismo vermelho.

Vivemos 13 anos sob um regime mafioso.

Somado a isso, o fisiologismo endêmico dos partidos de aluguel, o inchaço e aparelhamento do estado, a falência do modelo econômico heterodoxo dos anos Dilma, o rombo nas finanças do governo, o desemprego galopante, a volta da inflação, a lentidão do STF e os entraves causados pela existência do foro privilegiado, levou a população a uma descrença quase que absoluta no sistema vigente e nas nossas instituições.

fhc-semanario-do-estado-do-rio-de-janeiroO que vemos ao nosso redor, não começou em 2002 quando Lula assumiu a presidência. Este processo levou décadas e começou nos anos 60 com a estratégia gramsciana da esquerda de ocupação de espaços para conquistar a hegemonia na sociedade. Principalmente no campo cultural (mídia, universidades, instituições de ensino). Está aí a origem do monopólio do pensamento esquerdista que vêm erodindo lentamente a cultura brasileira e os valores da sociedade, resultando no estado atual de coisas.

A mentalidade estatista, sempre presente na história brasileira, como uma nuvem negra ancorada sobre o país, facilitou o caminho da esquerda rumo à hegemonia cultural. Para entender melhor, recomendo “Pare de acreditar no Governo. Por que os brasileiros não confiam nos políticos e amam o estado” de Bruno Garschagen.

 

Como começar a sair do buraco?

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O campo cultural é a área de atuação mais importante para a melhoria do país.

Reduzir os problemas do Brasil à corrupção e sintetizar no combate à ela a salvação do pais é um erro de análise histórica e de compreensão da conjuntura presente. Se assim fizermos, trocaremos os chefões do esquema. Mudaremos as regras do jogo, mas tanto os patrimonialistas fisiológicos quanto os esquerdistas totalitários continuarão a brotar aos montes.

Reduzir os problemas do Brasil à corrupção e sintetizar no combate à ela a salvação do pais é um erro de análise histórica e de compreensão da conjuntura presente. Se assim fizermos, trocaremos os chefões do esquema. Mudaremos as regras do jogo, mas tanto os patrimonialistas fisiológicos quanto os esquerdistas totalitários continuarão a brotar aos montes.

Teremos novos Cunhas, novos Renans, novos Temers e Sarneys de um lado e novas Dilmas, Lulas e Dirceus do outro para fazer alianças espúrias com os primeiros (sem esquecer dos Tucanos no meio fingindo que fazem oposição à qualquer coisa). A Esquerda nacional, retomará assim o projeto de implantação do socialismo através da via democrática. Objetivo que o PT nunca se esforçou muito para esconder e reiterou mais uma vez recentemente, em carta à sua militância, onde a cúpula do partido admite o erro estratégico de não ter aparelhado e domado a Policia Federal e as forças armadas (como fez Chaves na Venezuela)

Ou entendemos que a luta é cultural e encaramos o desafio, ou os preponentes do bolivarianismo se reagruparão, mudarão o nome na legenda e encontrarão novamente céu de brigadeiro para decolarem num novo projeto criminoso de poder, pois as escolas, universidades e a mídia continuarão sob a hegemonia da esquerda.

Fim da Parte 1. Publicaremos a parte 2, Adeus, Liberdade, semana que vêm. Tratará de como o intervencionismo econômico é fichinha comparado à intervenção estatal na liberdade interior dos indivíduos.