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O Sucesso do Fracasso

Recebo muitos textos, colunas e posts de facebook de amigos esquerdistas.

Enviam-me na esperança febril de terem achado um diamante precioso, lapidado em argumentação brilhante e pronto para coroar suas crenças coletivistas. Em suas mensagens, transparece a empolgação trêmula dos seus dedos ao teclarem; o afã de vingar o ego ferido em discussões pregressas e ao mesmo tempo, a caridade condescendente de refletir um pouco de luz na caverna primitiva do conservadorismo e liberalismo onde habita o meu ser. Afinal, todo esquerdista é, no fundo, uma pessoa mais nobre que você.

Ao primeiro olhar os diamantes não enganam. Não passam de cacos de vidro. Ter que explicar o óbvio, que a mera observação da realidade pode aferir é tarefa enfadonha e repetitiva, principalmente pela monotemática dos argumentos que trazem os social justice warriors das mídias digitais.

Mas vamos lá. Dentre muitos escolhi este pedaço de caco abaixo meio que aleatoriamente. Na verdade, tanto faz. São todos semelhantes e oriundos da mesma garrafa quebrada de aguardente estatista. O mais inebriante dos nossos vícios nacionais.

Ivan Morais

Começarei concedendo os seguintes pontos ao post acima: primeiro, Dilma fez um péssimo governo, pedalou, gastou demais e tudo aquilo que já sabemos; segundo, a política nacional é pautada pela maracutaia. Nada de novo. Porém, a partir desses chavões enaltecer o responsável pelo texto acima e tomar vidro por diamante seria como dar mérito a um relógio quebrado apenas por estar certo 2 vezes ao dia.

O senhor Ivan Moraes Filho, que tenho o prazer de não conhecer, comete contradições lógicas inconciliáveis. A la Sakamoto, sua construção argumentativa é tão primária que não necessita de argumentos e fatos externos para ser demolida, as falhas de raciocínio intrínsecas ao texto já bastam para descreditá-lo.

Se o autor do cacareco afirma que Dilma pedalou, como pode afirmar que não é criminosa, se as pedaladas em sí constituem crime de responsabilidade? A partir desta contradição elementar, concluir que o impeachment seria na verdade um recall está em algum lugar na escala que vai da estupidez completa à desonestidade intelectual absoluta. Não sei em que ponto o autor do post se encontra e não cabe a mim julgar. Oxalá ele consiga sair de lá um dia.

Argumentos incongruentedips à parte, o texto é também um festival dos surrados lugares comuns que condenam o país ao atraso. Pede mais impostos, intervenção estatal na mídia, enfim o velho e nada bom pensamento estatista que aqui chegou com Marquês de Pombal e fincou unhas, garras, âncoras e raízes.

Esta visão canhestra da realidade, sempre conduz ao eterno cacoete nacional do reformismo Sebastianista. Na interpretação de Ivan: moralizar o Brasil através de uma reforma política (por meio de uma ação do Estado). Ou seja, o Estado centralizando o poder para transformar a sociedade. Música para os ouvidos de Stalin, Lenin, Hitler, Mussolini et caterva.

Um rápido estudo da história política brasileira bastaria para compreender que vivemos desde o fim da Monarquia um eterno ciclo vicioso de reformas de salvação nacional que deram com os burros n’água. Via de regra feitas a toque de caixa e quase sempre acabando por piorar a situação, aprofundando o buraco que se empenharam em tapar.

Num masoquismo doentio, nós brasileiros, pedimos de joelhos para que o Estado intervenha, a fim de resolver os problemas que sua própria intervenção anterior criou. Resolver como? Com mais Estado. Resumo da ópera:

No Brasil nada faz tanto sucesso quanto o fracasso.

Decerto o autor do post não pensou na contradição de pedir aos políticos que reformem a política. Ou seja, aos porcos que limpem o chiqueiro. Às raposas que tomem conta do galinheiro. Quem seriam os maiores beneficiários de uma reforma política neste momento? Os próprios agentes desta reforma. Lógica elementar.

É claro que o presidencialismo de coalizão é falho, mas enquanto não combartemos a prevalência do pensamento estatista que o post cometido por Ivan Moraes Filho tão bem representa, e nos livrarmos dessa cultura retrógrada e bolorenta, não adianta falar em reformas constitucionais ou institucionais. Será um tiro certeiro nos dois pés. A história brasileira não cansa de nos ensinar que não há nada tão ruim que não possa piorar.

Ou saímos desse vago entendimento de coisa nenhuma e olhamos para a realidade ao invés de impor a ela construções ideológicas pueris, tomando cacos de vidro por pedras preciosas ou continuaremos girando em falso no meio do nada. E aí, o Brasil seguirá, como disse Roberto Campos, sem correr o menor risco de dar certo.

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