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O Prefeito Prafrentex e o Desastre do Politicamente Correto


Com colaboração de João Marcelo Haruki

Recentemente, Londres elegeu o seu primeiro prefeito muçulmano, Sadiq Khan, britânico descendente de paquistaneses. Imediatamente, a mídia nacional e os arautos do politicamente correto correram para aplaudir os londrinos e sua tolerância. A partir de dois fatos isolados, os mais coloridos arco-íris foram construídos sobre a figura do recém eleito prefeito:

  1. Sadiq Khan é muçulmano.
  2. Khan diz ser a favor do casamento gay e votou a favor dos interesses do lobby gay quando foi parlamentar.

Sadiq Khan, prefeito de Londres, defensor do acolhimento maciço de refugiados, independente dos atentados terroristas de Paris e Bruxelas e das ondas de estupro praticados por imigrantes na Alemanha e Suécia.

Nossos jornalistas festejaram a eleição de um prefeito muçulmano em Londres e sentiram-se merecedores de um festival sem-par de tapinhas de aprovação nas próprias costas, afinal demonstraram assim ser tão evoluídos e esclarecidos como seus kindred spirits da esquerda britânica.

Khan foi elevado instantaneamente ao status de paladino iluminado da integração multicultural.

Pudemos testemunhar as mesmas reações de tietagem desmedida quando da eleição de Barack Obama. Que maravilha, um presidente negro! Já bastando a sua cor de pele e o discurso puramente ideológico sem um pé na realidade para alçá-lo de antemão ao posto de melhor presidente americano de todos os tempos.

Todo o hype Obamista deu no que deu: uma administração desastrosa, principalmente na política externa, cujos erros são diretamente responsáveis pelo surgimento do Estado Islâmico, da guerra civil total na Síria e da crise humanitária sem precedentes que é o fluxo de imigrantes islâmicos na Europa.

Para variar, a mídia politicamente correta não aprendeu nada e agora se derrete toda pelo prefeito muçulmano dito prafrentex. Não se preocuparam em checar o seu passado ou mesmo o que propõe para seu governo. Não bastasse isso, aproveitaram a eleição de Khan para entoar críticas a quem quer que pense diferente em questões ligadas ao Islã.

Acusam de islamofóbicos aqueles que temem a enxurrada de refugiados na Europa; que se preocupam com o estado paralelo que se criou nas comunidades islâmicas no velho continente; e que questionam as qualificações ou propostas de governo de Sadiq Khan.

Da política da esperança politicamente correta de Obama à barbárie concreta do Estado Islâmico.

Se isso aconteceu na mídia internacional, em terra brasilis a coisa foi ainda mais canhestra. Nossos jornalistas usaram a eleição de Khan para concluir que apenas uma pequena minoria dos muçulmanos seria radical (sem definir os parâmetros do que significa ser radical. Estamos falando de terroristas e homens-bomba, ou muçulmanos que acreditam que a homossexualidade deveria ser ilegal?).

Segundo nossos palpiteiros de plantão, a maioria dos muçulmanos estaria amplamente preparada para integrar-se à sociedade ocidental sem maiores problemas. Evidências do contrário não passariam de provas de como, na verdade somos nós, os ocidentais, os preconceituosos e intolerantes.

Sem dúvida existem muçulmanos adaptados à sociedade ocidental e seus valores no Reino Unido. O novo prefeito parece, à primeira vista, pertencer a este grupo, no entanto uma pesquisa básica do seu passado –  que vasta maioria da mídia julgou aparentemente desnecessária – revela um histórico muito preocupante.

Seu apoio ao lobby gay parece ter blindado Sadiq Khan de sua própria biografia, que inclui:

  • Nos anos 90, o cunhado de Khan, Makbook Javaid, foi afiliado e porta-voz do grupo terrorista Al Mahajiroun, organização clandestina responsável por pelo menos metade dos atentados terroristas em solo britânico ocorridos nos últimos 20 anos.
  • A Al Mahajiroun era então liderada pregador radical Anjem Choudary, que defende a adoção da lei da Sharia no ocidente e a supremacia global islâmica.
  • Em 2003, Khan aparece em conferência ao lado de Sajeel Abu Ibrahim, membro do Al Mahajiroun.
  • Sajeel Abu Ibrahim comandava e organizava um campo de treinamento terrorista no Paquistão, de onde saiu um dos homens-bomba que protagonizou os atentados de 7/7 de 2005 em Londres.
  • Em 2004, já como membro da Câmara dos Comuns, Khan revelou ser diretor do comitê de questões legais da Muslim Council of Britain (MCB).
  • Como representante do MCB, Khan alegou ao parlamento inglês que o clérigo da irmandade muçulmana Yusuf Al-Qaradawi “não era o extremista que a mídia pintava”. Vale notar que Al-Qaradawi é autor do livro The Lawfull and Prohibited in Islam, em que defende a punição física e espancamento de esposas, bem como a pena de morte para homossexuais. (viu como o prefeito islâmico-pra-frentex é contraditório em suas posições?)
  • Al Qaradawi também emitiu uma “fatwa” pedindo ataques suicidas de homens-bomba contra civis em Israel, o que levou sua entrada no Reino Unido a ser proibida.
  • Khan participou de vários eventos da organização jihadista Cage e inclusive escreveu o prefácio de um de seus reports.
  • A Cage declarou que o garoto propaganda do Estado Islâmico, o militante britânico “Jihadi John”, o assassino cruel que degolou inúmeros infiéis em vídeo, foi um homem maravilhoso.

 

Anjem Choudary, apologista da supremacia global islâmica

Se Khan é um extremista islâmico de fato ou flertou com esses grupos para conseguir votos das bases eleitorais islâmicas, não nos cabe julgar. Fato é que as conexões existem, como muito bem apontou Maajid Nawaz – ex-militante extremista islâmico e hoje ativista que luta para impedir que jovens muçulmanos ingressem em movimentos jihadistas. Também é notório que Khan construiu sua carreira política a partir do distrito eleitoral maioritariamente muçulmano de Tooting, no sul de Londres, onde agiu diversas vezes para obter o apoio da Mesquita de Tooting, o mais importante cabo eleitoral de sua ascensão política.

Se o prefeito acredita ou não nas ideias das quais se veste para garantir o avanço de sua carreira política, flertando tanto com o islamismo radical como com a esquerda progressista, é irrelevante para seguir este raciocínio adiante.

O ponto central é outro.

A facilidade com que a vasta maioria da mídia abraçou Khan demonstra como a mentalidade predominante do politicamente correto mais uma vez praticou a forma mais vil de racismo reverso: o tratamento diferenciado.

A imagem projetada das comunidades muçulmanas vivendo na Europa, pintadas por matérias de viés politicamente correto na mídia nacional, não poderiam ser mais distantes da realidade. Depois de ter vivido anos em Londres, posso falar com algum conhecimento de causa.

É louvável como os britânicos são capazes de conviver com diferentes grupos religiosos e étnicos em seu território. Coisa que o brasileiro sequer é capaz de imaginar. No entanto, não há integração cultural e de valores. Integração que não foi incentivada pelo Reino Unido (dado histórico) nem tampouco buscada pelos imigrantes. Muito mais do que convivência, existe apenas uma coexistência territorial.

Manifestações pela supremacia islâmica em solo britânico

Manifestações pela supremacia islâmica em solo britânico

Aos que duvidam, convido-os a visitarem os bairros mais pobres, majoritariamente muçulmanos do leste londrino e sentir na pele como a atmosfera é “moderada” e quanto o ocidental na verdade é o estrangeiro nesses enclaves étnicos. O mesmo se aplica aos bairros indianos, africanos e caribenhos.

A visão que temos do Brasil é que os muçulmanos são um pequeno grupo pacifista e oprimido inserido numa sociedade de hooligans ocidentais europeus.

A realidade é muito mais densa e complexa, muito distante da paisagem que este tipo de matéria esquerda technicolor costuma pintar.

Afirmações soltas no vácuo como “A maioria dos muçulmanos não é radical” só servem de desinformação e não ajudam ninguém a compreender nada.

No Reino Unido, mais de 50% dos muçulmanos acreditam que a homossexualidade deveria ser ilegal. 25% acham que a lei da sharia deve ser implementada em sua forma literal, incluindo o apedrejamento de mulheres adúlteras.

Ao afirmar que o “radicalismo islâmico” é coisa de uma minoria,  a mídia politicamente correta perpetua um mito. As posições defendidas pela maioria da população muçulmana, tanto nos países islâmicos como na Europa e Estados Unidos são radicais e inconciliáveis quando colocadas lado-a-lado com os valores das nações ocidentais.

 

Pedir a pena de morte para homossexuais, para a apostasia ou ser favorável à adoção da Sharia justifica a classificação de “radical”, certo? Ou radical seriam apenas os que defendem os homens-bomba?

Empregando palavras como “extremista” ou “radical” fora de contexto ou referência de significado, a mídia cria um tipo de artimanha retórica, que acaba por nos confundir e muitas vezes  oferece um falso senso de segurança. É o mínimo de bom senso observar com certa apreensão um segmento da população que cresce em ritmo acelerado e que advoga valores e um estilo de vida inconciliáveis com os dos países onde estão inseridos.

A situação muçulmana no Reino Unido é um barril de pólvora. A abordagem politicamente correta do mainstream encabeçado pela BBC, que evita chamar coisas e acontecimentos pelo seu nome e realizar um debate profundo, só agrava a situação.

A demora com que o fenômeno do grooming chegou à mídia de massas e a pouca cobertura que teve são emblemáticos. Trata-se de grupos de homens paquistaneses de 20 a 40 anos, membros de famílias que se encontram inseridas na sociedade muçulmana britânica, que desenvolvem amizades com meninas inglesas de 13 a 16 anos, ganham a sua confiança para depois, em turmas de 15 a 20 marmanjos, estuprarem a vítima em rodízio, por horas a fio.

Muitas vezes, a mesma vítima é chantageada a repetir a prática por anos sob ameaças de difamação diante dos colegas de classe, à integridade de sua família ou, pior ainda, de as mesmas atrocidades serem repetidas com suas mães e irmãs.

Como esses grupos de homens justificam tais atos para si mesmos? Eles consideram que a mulher ocidental não tem uma conduta respeitosa e portanto está a mercê de suas atitudes e deve sofrer as consequências de seus atos. É como se a conduta da mulher ocidental fosse um sinal verde ao sexo consensual antes do casamento. Esclarecendo, na cabeça deles o que praticam não seria estupro.

Até onde se sabe, mais de 1500 meninas foram violentadas dessa maneira.

Vítima de grooming, Sarah, aos 13 anos, foi estuprada por 12 homens em uma noite.

Vítima de grooming aos 13 anos, Sarah foi estuprada por dezenas de homens em uma noite.

Por que demorou tanto para a sociedade inglesa falar e começar a lidar com esse problema? Milo Yiannopoulos, da Breitbart Inglesa, aponta o politicamente correto como um dos culpados. Evita-se o assunto com o medo dos gritos de “racista” e “islamofóbico”.

Outro problema que assola a comunidade muçulmana em solo britânico, mas que não recebe devida cobertura da mídia, são os crimes de honra praticados contra mulheres muçulmanas pela sua própria família. Jovens muçulmanas são assassinadas por seus irmãos, com o aval dos pais, por recusar um casamento arranjado. O motivo: elas desonrariam a família se continuassem vivas.

Eu vi um dos meus melhores amigos ingleses com o coração partido, porque sua namorada muçulmana não podia contar sobre a relação para os pais e teve que terminar um namoro de anos para voltar à sua cidade no interior da Inglaterra e casar-se com o marido que os pais escolheram.

Voltando ao noticiário, outra matéria alarmante veio à tona esta semana. Jamal, 27 anos (sobrenome não revelado)  ex-detento de origem muçulmana, denunciou como a prisão de Belmarsh, em Londres, transformou-se num campo de alistamento, doutrinamento e treinamento de terroristas islâmicos. Os grupos islâmicos que dominaram o centro de detenção pregam a destruição da sociedade ocidental e morte aos kuffar – leia-se: todos aqueles que não seguem os ensinamentos do profeta. Detalhe, Jamal – o ex-prisioneiro muçulmano que fez a denúncia – foi considerado um kuffar por não subscrever à visão da maioria da população muçulmana de presidiários (que nós ocidentais chamaríamos de extremistas). Aos presidiários considerados kuffars as opções eram a conversão (para os não muçulmanos) e subserviência (para todos) ou viverem como párias sob o risco constante de linchamentos e abusos.

musl-1Dados estes exemplos, quero dizer que não tenho nada contra os muçulmanos. Muito pelo contrário. Viajei diversas vezes a países islâmicos. O povo é hospitaleiro, gentil e muito família. Porém, uma coisa é uma população muçulmana vivendo em um país totalmente muçulmano e inserido em sua própria cultura e valores. Ali, o visitante, o ocidental no meu caso, deve viver de acordo com os códigos locais e respeitar a cultura na qual está inserido. Por exemplo, mulher ocidental sozinha à noite na rua é uma péssima ideia, bem como qualquer tipo de decote no vestuário. Trata-se basicamente de um desrespeito aos homens de família muçulmanos que lá se encontram.

O problema, é que o inverso não ocorre. Estes grupos muçulmanos não estão dispostos a adequar seus valores à sociedade ocidental quando encontram-se na posição de imigrantes. Consequentemente, brotaram por toda Europa bairros que são verdadeiros enclaves étnicos-religiosos vivendo sob um regime paralelo de leis informais, em descompasso total com o da nação soberana onde estão inseridos.

Esta falta de integração à sociedade ao seu redor e ao desterro em relação à sua terra e cultura de origem cria uma segunda e terceira gerações de imigrantes com uma identidade dilacerada, sem senso de pertencimento à sociedade ocidental onde nasceram ou a uma terra e cultura distantes que, pelo menos em seus corações, poderiam chamar de lar.

Acabam por encontrar, muitas vezes, essa identidade numa versão idealizada e utópica dos valores islâmicos. E tornam-se massa de manobra nas mãos de pregadores do ódio e operadores do Islã político. Vide os atentados islâmicos na Europa e nos EUA praticados com grande envolvimento de muçulmanos de segunda ou terceira geração.

O multiculturalismo utópico que recebeu um sopro de vida com a eleição de Sadiq Khan parece muito civilizado e quase uma questão de lógica elementar. Mas, na prática, é um cinismo completo do começo ao fim. Do alto da soberba ocidental, seus defensores envaidecidos tomam uma postura autocongratulatória de aceitação e tolerância a outros povos. Tratando quaisquer outras culturas como minoritária e por consequência, “café com leite”, sendo tão inferior que não pode apresentar qualquer ameaça.

Acreditam, por consequência, que os nossos valores e conquistas que levaram séculos são mero senso-comum. Estado laico; liberdades religiosa, individual, sexual e de expressão são questões de lógica e valores universais do homem, perante os quais outras sociedades “menos desenvolvidas” ficarão maravilhadas.

Este pensamento não encontra embasamento em nenhuma evidência empírica. Não passa da mais pura arrogância travestida de bom-mocismo. Ainda mais quando tratamos de nós, brasileiros, que nos achamos tolerantes por sermos um povo miscigenado, mas cultural e religiosamente somos monolíticos, intolerantes e desconfiados.

Nós, ocidentais, muitas vezes ignoramos que outras culturas não têm valores diferentes dos nossos e sim antagônicos. Onde a convivência e integração não são possíveis sem que um grupo abra mão de seus valores, submetendo-se aos do outro.

Homossexuais enforcados em praça pública em Teerã

Homossexuais enforcados em praça pública em Teerã

Parece-me que o Islã político já percebeu isso, enquanto nós ainda estamos tergiversando numa torre de marfim. Será um sinal de que nossa soberba precederá a nossa ruína?

A Escola de Frankfurt, seguindo a linha de Antônio Gramsci, concebeu o marxismo cultural, que gerou a ditadura do politicamente correto visando a destruição da sociedade ocidental, para de seus escombros erguer a utopia socialista. Caminham a passos largos no cumprimento da primeira etapa, porém erraram na previsão do que virá a seguir. Se a sociedade ocidental vier a ruir, seu berço, a Europa, não dará luz a uma nova civilização socialista, mas padecerá curvada perante o Islã.