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Não aguenta mais este circo? A solução é reduzir o picadeiro

Há 2 semanas, o Brasil parou num domingo para assistir à votação da abertura do processo de impeachment na câmara dos deputados. Parece que foi há 2 meses atrás, mas não podemos esquecer o que aconteceu naquele 17 de Abril. Muito menos, esquecer como reagimos àquela votação em rede nacional.

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Você se sentiu enojado pelo show de horrores da votação do impeachment? Pergunto, porque a surpresa? Nada que ali aconteceu não vinha acontecendo desde sempre. Bastaria assistir à TV Câmara e comprovar ao vivo e à cores.

Após aquela histórica votação, fomos bombardeados por posts em mídias sociais, textos de blog, colunas de jornais e comentários em vídeo soltando o verbo na nossa classe política. Da esquerda, da direita, do centro e da nuvem ondem vivem os isentos, vieram críticas corrosivas à natureza do espetáculo grotesco que foi a votação na câmara. “Festim Diabólico”, “Show de Horrores”, ”Ópera Bufa”. Não faltaram hipérboles.

Hiperbólicas também foram estas reações.

Tudo o que ocorreu alí era o esperado. Estranho seria, se não fosse assim. Quando foi que o parlamento Brasileiro deixou de ser uma câmara dos lordes? Nunca. Jamais foi tal coisa. A transmissão em rede nacional só potencializou sua natureza caricata. Quanto maior a audiência, mais extravagante o espetáculo no picadeiro.

Lembremos que não foi diferente no Impeachment de Collor, quando fomos brindados com semelhante desfile de bizarrices. Com exceção feita à escatologia salivar de Jean Wyllys, nada fora do script.

Por que então demonstramos tanto asco? Para nos distanciarmos dessa gente. Manifestamos nosso nojo, enquanto dentro de nós sentimos o desespero de ser refém dessa classe política que nossa sociedade coloca no Congresso.

A política brasileira, historicamente, vem sendo povoada por 2 tipos majoritários. Patrimonialistas fisiológicos e esquerdistas ideológicos. Os primeiros são ávidos de poder, influência, favorecimento, tetas estatais e oportunidades de enriquecimento ilícito. Os segundos, querem mudar o país através da ação do estado, por meio de um modelo desenvolvimentista que aumenta o número de tetas estatais e oportunidades de enriquecimento ilícito. Ou seja, é a fome com a vontade de comer.

A esquerda, ao recorrer ao Estado como intermediador de todas as suas causas, cria mais regulamentação, mais burocracias, mais cargos, enfim, mais Estado, abrindo alas para os caciques patrimonialistas do congresso (juto aos inúmeros patrimonialistas vestidos de vermelho) entrarem com o bloco na avenida e fazerem a festa.

Já vimos este filme na coligação PSDB e PFL. A recém rompida aliança entre PMDB e PT foi a variante mais virulenta desta relação. Um casamento de fachada em prol de um único interesse comum: aumentar o tamanho, poder e alcance do Estado. Quanto mais ministérios, mais burocracia e mais licitações estatais, melhor.

A vertente de ambições totalitárias da esquerda representada pelo PT serviu para acelerar o processo e agravar este quadro, transformando o Estado brasileiro num fardo insustentável. As pedaladas fiscais nada mais foram do que uma manobra ilegal para esconder os sintomas do estado terminal em que a economia do país se encontra.

É questão de sobrevivência enxugar drasticamente o Estado e suas mil e uma secretarias e ministérios , com mais de 100 mil cargos de confiança usados como moeda de troca. Também é imperativa a privatização das estatais que ainda restam, como Petrobrás, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Eletrobrás e etc. E extirpar este câncer que é o BNDES.

É este Estado inflado, cheio de metástases que oferece oportunidades sem fim para nossos deputados negociarem do lusco-fusco de seus gabinetes, acordos sórdidos com o governo. O Estado Brasileiro cria dificuldades e os picaretas vendem facilidades. Sempre foi assim.

No título de seu mais recente livro, “Pare de acreditar no governo. Por que os brasileiros odeiam os políticos e adoram o estado?”, o autor Bruno Garschagen apresenta o paradoxo enraizado há anos na mentalidade brasileira, condenando o país ao atraso político e econômico geração após geração. Numa espécie de síndrome de Estocolmo em feedback loop, odiámos a classe política que nos envergonha, rouba e constrange e ao mesmo tempo insistimos em eleger representantes com plataformas e ideologias que incham este Estado infame e conferem mais poder aos nossos algozes.

Se desconfiamos tanto de nossa classe política, calçados na experiência de um gato mil vezes escaldado, por que insistimos em terceirizar para o Estado a solução de todas as questões que afligem o nosso pais? Por que entregamos de mão beijada todos os recursos para que este espetáculo deprimente da corrupção, do fisiologismo e do autoritarismo estatal continue eternamente?

Ao pedir mais medidas do governo, mais impostos, mais estímulo, mais secretarias, mais programas sociais, mais isso, mais aquilo, enfim ao pedir mais Estado, estamos dando mais picadeiro para este “freak show” da democracia representativa brasileira seguir em cartaz impunemente.

É hora de entender que temos que desmontar este Estado intervencionista e agigantado.

Ou diminuímos drasticamente o Estado brasileiro. Privatizando, enxugando, reduzindo impostos e libertando a sociedade do peso esmagador da nossa máquina pública, ou os parceiros serão trocados mas a dança dos infames em Brasília vai continuar.

Menos Estado significa menos corrupção, menos negociata de verbas, menos ministérios para lotear e menos cargos para preencher com afilhados políticos.

Privatizando, eles não terão estatais para saquear e fatiar entre partidos de aluguel. Haverá menos licitações para fraudar com o amigo empreiteiro. Menos favores para trocar com empresariado oligárquico. Menos dinheiro indo para bilionários corruptos via BNDES. Menos Renans, menos Cunhas. Menos Dilmas. Menos PMDB, menos PSDB, menos PT.

Com menos Estado, damos menos poder para esta gente. Com menos Estado, conquistamos mais liberdade desta gente.