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O Brasil precisa de você na política

por Sam Sheepdog

Este texto é uma autocrítica. É uma crítica a você também.

Aposto que você assistiu à votação para definir a abertura do processo de impeachment na Câmara dos Deputados neste domingo. E muito provavelmente ficou preocupado com o nível de nossos representantes.

Ao contrário do que parece, aquelas frases que pareciam não fazer sentido algum fazem muito sentido. Serão todas usadas em propagandas eleitorais, para que esses deputados possam dizer que, no dia do impeachment, votaram sim e mostraram que se preocupam muito com as vítimas da BR XYZ, que são pessoas de família, que prezam muito seus Estados de origem e por suas cidades. O mesmo com relação aos que votaram não, que dirão que respeitam a democracia, o Lula, são contra o golpe, trá lá lá.

Não interessa, ainda assim foi um circo. Você provavelmente não gostou. Sentiu vergonha. A pergunta ao final que ficou foi “em quem eu posso votar que não vai me fazer sentir mal”?
A resposta é simples: em você.

O problema aqui é o seguinte, sempre pensamos que “os políticos” não prestam. “Os políticos” não nos representam. “Os políticos” só pensam em si mesmos. Em quem vamos votar? Sempre colocamos essa solução fora da gente. Como se existisse uma classe privilegiada de pessoas destinadas a nos representar, como prefeitos, vereadores, deputados, presidentes, governadores e senadores.

Não é assim que deveria funcionar. Para ser assim, fiquemos com uma monarquia absolutista. Ou uma ditadura. Assim não temos que nos preocupar em escolher alguns dentro desta classe de pessoas iluminadas.

Na democracia deveria ser diferente. Precisamos discutir mais sobre política. Afinal ela muda completamente nossas vidas. Precisamos nos envolver em mais discussões sobre o assunto e estudá-lo. Pensadores antigos e atuais, entender modelos. Por que um país funciona e outro não? Por que o modelo de um país serve ou não ao Brasil?

Mas não apenas isso. Precisamos de gente que queira se representar e representar os demais como candidato. Esta pessoa é você. Os políticos não são ou não deveriam ser uma classe à parte. Na democracia, os políticos somos todos nós.

Nesta hora você se pergunta como isso ocorreria. Para se envolver na política é preciso tomar parte em negociações que não nos parecem limpas. Trocas de favores. Ainda que você não se envolva em casos de corrupção, você saberá de casos e será preciso ao menos tolerá-los de alguma forma. Por falta de provas, para sua própria sobrevivência política, talvez sobrevivência real.

Sim, eu também tenho essa impressão da política.

Por que você ou eu nos meteríamos em um mundo desses?

Simples, porque se você se considera uma pessoa honesta e limpa, que quer fazer o bem, que tem boas ideias de como melhorar o Brasil, ou ao menos gostaria de se engajar em discussões sobre isso, você precisa participar da política.

Por que quanto mais sujo este ambiente, mais ele precisa de pessoas limpas. De pessoas boas.

É uma situação paradoxal. A política afasta muita gente. Que teria boas ideias. Que teria muito boa vontade de fazer política boa, de forma limpa. Mas a imagem que a política nos passa afasta essas pessoas.

E aí entra o paradoxo. Pois quanto mais suja for a política, mais é preciso ter gente decente entrando. Só assim podemos limpar esse meio.

Esta é a autocrítica. Ainda não entrei para a política. Esta é a crítica a você. Você também não.

Nessa toada, vamos continuar com os políticos que participaram da sessão do último domingo.