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Grela volant, Morum manent

Por Chico Beca

Com o regime petista em seus estertores e os líderes máximos do PT cometendo equívocos bizarros que só aceleram o fim inevitável desse governo desastroso, o debate político brasileiro tende a regredir para termos absolutamente primitivos.

Haverá pouca razão e muita exaltação. Com a velocidade dos acontecimentos e sua difusão pelas redes sociais, estaremos sujeitos a avalanches de sofismas, falácias e outras canalhices retóricas.

Entre estas últimas, nos círculos mais educados (e que representam a totalidade dos leitores do BomSenso.org), têm forte apelo as questões relativas a identidade de grupo. É o que os gringos chamam de “identity politics”, que, em termos muito gerais, reduz o debate ao questionamento da legitimidade do interlocutor e da adequação de sua posição à sua identidade.

A esquerda é mestre em usar esse tipo de picaretagem. Sua indignação seletiva se alimenta de deslizes verbais ou comportamentais para lançar a fúria patrulheira sobre os incautos.

Talvez isso seja algo bem intencionado. Talvez seja por reflexo condicionado das reuniões de DCEs e sindicatos. Talvez sejam os efeitos combinados da mortadela e da tubaína na cabecinha dos companheiros. Talvez, ainda, seja na esperança de ser aquinhoado com seus pixulecos no fim do mês ou da passeata. Não importa a razão. Importa não se deixar levar por essa maracutaia.

Querem ver como os petistas e a esquerda em geral fazem isso? Querem algumas ideias de como sair das armadilhas vermelhas com cheiro de acarajé?

– “Não vai ter golpe. Vocês querem repetir 1964!” – explique ao amiguinho que o impeachment está previsto na Constituição Federal e regulamentado em lei. Além disso, o rito do impeachment está dado pelo Supremo Tribunal Federal, que, portanto, o reconhece como ferramenta legítima e democrática. O que aconteceu em 1964 – quando você provavelmente não era nem nascido – não tem nada a ver com o atual processo de impedimento. Você não é, portanto, a favor da ditadura militar. Quem é a favor de ditadura são os que defendem o regime castrista em Cuba, por exemplo.

"Não vai ter golpe!"

“Não vai ter golpe!”

– “Nos protestos contra o PT, só tem gente rica e branca. Tudo elite!” – lembre ao seu amiguinho que os ricos também choram e que os brutos também amam. Como cidadãos, independente de cor, raça, classe etc., somos todos autorizados a participar da política e expressar nossas aspirações. Se o perfil do público anti-PT é de gente com mais recursos, é do jogo. Recorde, porém, que as manifestações coxinhas são “mortadela-free”, de modo que, ao contrário daquelas movidas a MST, MTST, CUT e o escambau, trata-se de gente de verdade, não de militantes profissionais pagos, direta ou indiretamente, com dinheiro público.

Ricos de ascendência nórdica disfarçados no dia 13.3

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– “Você é coxinha e, portanto, homofóbico, racista, machista e tem complexo de vira-lata!” – diga ao seu amigo mala que nunca maltratou nenhum gay, negro ou outra minoria; e que o liberalismo dos países ricos é um modelo absolutamente natural para o Brasil se espelhar (ao contrário de países pobres e corruptos, como costumam ser os socialistas). Recorde, ainda, que tem grande apreço pelas mulheres, tanto aquelas que dão duro fora, quanto pelas mães e donas de casa, e que jamais usaria a expressão “grelo duro” para se referir a mulheres aguerridas.

Che Guevara: herói da esquerda, racista e homofóbico.

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– “O Moro é tucano, você é tucano, essa indignação contra a corrupção é seletiva!” – diga, já de forma impaciente, que você adoraria ver todos os corruptos passarem uma bela temporada na cadeia de Curitiba ou na Papuda. Que, ao contrário do pessoal bacana da mortadela gourmet, não apoia colocar político investigado como ministro só para fugir da Justiça. Que, se todos os tucanos, democratas ou quaisquer outros forem comprovadamente ladrões, você aplaudirá a prisão de cada um deles, de preferência saboreando uma Glacial gelada ou outra bebida de sua preferência.

Petistas têm pets no fechado e no semi-aberto.

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– “Você é coxinha, feio e bobo. Não vai ter amigos nem ficar com ninguém.” – diga que você é coxinha mesmo, que se orgulha dos seus valores democráticos verdadeiros e da crença no Estado de Direito. Diga que tem vários amigos assim, que a maioria da sua família é assim, e que muita gente encontra namorado nas manifestações dos coxinhas. Diga que seu pai falou que não teria problema você ser gay, mas que não aceitaria filho comunista. E recorde que o petista-mor não se saiu tão bem assim em sua vida amorosa: é casado com a Dona Marisa, tinha como “amiga” a fabulosa Rose Noronha, além de um histórico um pouco estranho com um tal “menino do MEP” e com semoventes.

Clint Eastwood: ator, diretor, ganhou vários Oscars e pegou geral. 100% coxinha.

Clint Eastwood: ator, diretor, ganhou vários Oscars e pegou geral. 100% coxinha.

Se nada disso adiantar, não seja bobo. Saia de perto e deixe o amiguinho falando sozinho.  Ele só está defendendo, afinal, seu pixuleco. Ou, então, já está em fase avançada de demência por consumo excessivo de mortadela. Ou os dois.

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