Sign up with your email address to be the first to know about new products, VIP offers, blog features & more.

O cerco sufocará

Por Leôncio Custódio

O ano era 1945. Iniciava-se a primavera, moldura perfeita que a natureza oferece, ano após ano, para o recomeço. E o reinício era próximo.

Berlim estava sitiada em todos os seus flancos. Era questão de dias saber quais dos Aliados chegaria primeiro. Americanos e britânicos vindos pelo norte e oeste. Soviéticos pelo leste. E no centro do seu bunker, um lunático já desacreditado pelo seu próprio povo que continuava dando ordens, querendo comandar e se negando a ver que o cerco se fechara e que o ocaso lhe era vizinho.

A história nos ensinou que em Maio de 1945 Hitler foi morto, a Alemanha devastada e o povo carregou o fardo da reconstrução.

Não estamos em guerra no Brasil de 2016. Não temos um maluco armamentista. Não temos cidades devastadas. Mas, infelizmente, temos dirigentes descolados da realidade do país e dos anseios de sua população.

Dilma está isolada. O Congresso não a respeita e tampouco tem vontade, capacidade e honestidade para conduzir o navio naufragante para um porto menos tormentoso que se possa aprumar e seguir vogando.

A presidente de direito, porque de fato já não governa, aprofunda políticas erráticas que terão o condão de causar mais desemprego, inflação, redução de mercado e indústria e empobrecimento de todos. Quer aumento de tributos para uma sociedade asfixiada, que labora mais de cinco meses para sustentar um Estado paquidérmico, corrupto e ineficaz.

Como cartada última, para salvar seu criador o quer como seu ministro. Extra-oficialmente já o é há muito.

A queda é inevitável. Mas diferente da Europa do pós guerra que contava com Churchill, De Gaulle e outros estadistas para reconstrução e crescimento com base na educação do povo e governo para todos, aqui temos apenas um amontoado de legendas partidárias que ideologicamente nada significam apenas interessadas em dividir o butim e se manter parasitárias do imposto da sociedade.

Anos tormentosos virão. Certamente o Brasil se livrará de Dilma, Lula e do PT. Mas muitos pularão do barco para os novos partidos da esquerda, como Rede, Psol e Psb. Outros se manterão no Pmdb. Não haverá ruptura da forma de fazer política.

Essa depuração depende de educação e voto consciente, o que ainda não temos. Depende, ainda, do surgimento de líderes políticos que possam inspirar credibilidade e retomar o crescimento através do retorno aos fundamentos econômicos relegados. Coisa que também não possuímos.

Torçamos para que o impeachment chegue, mas o porvir permanece nebuloso. A demonstração de força e união da sociedade no histórico protesto de 14/03/2016 pode ser o norte para o império da lei, da ética e da política séria. É um começo.

O governo atual, sabedor que a sociedade clama pelo seu fim e os políticos profissionais pularão do barco da base de apoio, está como o velho ditado que diz: “Quando perdidos ou com medo, os cães latem, os homens choram e os governos tributam”.