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SENTINDO-SE PRETERIDO E ABANDONADO, FIGURÃO DO PT PENSA EM SE ENTREGAR À LAVA JATO

Por Romildo Perez

Sentado no sofá da sala de uma mansão de estilo modernista no coração do Jardim América, às 16:30 de uma quarta-feira ensolarada. Foi onde o espírito inquieto de um ex-senador da República recebeu a reportagem para uma entrevista.

Entre um e outro comentário esparso sobre a música dos Racionais MCs que emana do toca discos de vinil, Eduardo Suplicy demonstra uma tristeza incomum. Um homem taciturno, que não consegue esconder a sensação de abandono:

“Primeiro foi a Marta, que me trocou por um argentino. Não satisfeita, abandonou o PT pelo PMDB. Se bem que até aí é tudo mais ou menos a mesma coisa. Mas agora vem essa. Poxa, o pessoal com quem eu debatia, trocava ideias, almoçava junto, estão todos encarcerados. Amigos de militância. Todas pessoas do bem, que só queriam um país melhor. Morrerei acreditando nisso. O celular do Lula, ops, da Marisa, só dá caixa 2, digo, caixa postal. Liguei no Guarujá, em Atibaia e nada. Ninguém me ouve mais. É muita solidão. É muita injustiça”, desabafa Suplicy.

suplicy

O único momento de exasperação surge ao ouvir o nome do juiz Sergio Moro, responsável pelos processos que compõem a operação Lava Jato: “Esse daí é um grande de um oportunista, vou te falar. Não tenho dúvidas que representa algum interesse partidário. Quem sabe do PSDB. Quem sabe até de fora. O Sibá um outro dia me disse que ele havia sido treinado em Langley. Um dia a história o reconhecerá como o grande carrasco do sonho de um Brasil mais justo e solidário”.

Mesmo não estando envolvido nas investigações da Polícia Federal, Suplicy pensa seriamente em se entregar voluntariamente: “Ah, passa pela minha cabeça sim. Meus filhos estão criados e Curitiba é um lugar gostoso para morar. Como todos lá são inocentes, é questão de tempo para soltarem. Enquanto isso, pelo menos lá estarei junto dos amigos. Jogar um xadrez, um dominó. Ler uns livros. Estar perto de gente que pensa igual. Entre irmãos. Me faz falta, sabe? “– disse com o olhar marejado.

Indagado sobre quando pretendia se entregar, foi sincero: “Só não vou agora porque estão me faltando recursos com a passagem. Vida de ex-senador não é fácil não. A Marta come parte dos meus proventos com a pensão. Acho que vou aguardar um pouco para pegar uma carona com o Lula e com o Rui. Se forem como as pescarias que fomos juntos, será o maior barato”.

Ao final da entrevista, visivelmente mais animado, arrematou: “Militante que é militante acredita sempre. Vamos dar a volta por cima. O PT representa o sonho do trabalhador brasileiro e agimos sempre com ética. Agora, meu amigo, você me dá licença que tenho que tomar meu remedinho, ok?”.

QUO VADIS, BRASIL?