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Os cabelos da ratazana

Por Chico Beca

É sabedoria popular – parece que herdada dos navegantes portugueses – que os ratos são os primeiros a abandonarem o navio quando começa o naufrágio.

Na nossa política tupiniquim, os ratos mais gordos são aqueles que têm a maior fatia do queijo do estado: o governo federal, com sua capacidade quase infinita de produzir carguinhos, pixulecos e acarajés, e de decorar cozinhas de sítios e apartamentos – que não, não são meus, o que é isso, companheiro?

Dilma nunca soube nadar, não tem bússola ou astrolábio, e não sabe a diferença entre uma vela e uma bandeira da CUT. Mas, pela fortuna dos ventos favoráveis, a nau de seu governo chegou a 2014 se não inteira, ao menos flutuando. O naufrágio começou logo depois, quando se cobrou da capitã a “virtù” que não tinha. Seguiu-se o amotinamento do povo (o de verdade, não aquela gente de vermelho obcecada por mortadela) em março de 2015. Desde então, tudo foram rochas pontiagudas e ondas implacáveis.

Mas o queijo continua gordo e gostoso, e as ratazanas acham que ainda há tempo para se refestelar. Sua esperteza diz que vale a pena esperar um pouquinho mais. Só uma saideira… depois, pendura na conta do povo.

Malandros, sorrateiros e acostumados às delícias dos porões, os ratos não querem ir para a praia, onde têm de batalhar sua comida. Querem outro barco recheado de mantimentos. Praia, só em último caso – de preferência, um tríplex com churrasqueira e elevador privado.

Pra chegarem ao novo navio hospedeiro, as ratazanas têm que caprichar na discrição e no disfarce. Contam com a memória fraca dos navegantes, com a bagunça geral da tripulação e com a ajuda de uma Rede que mesmeriza pelo lado direito e do (p)Sol que ofusca pelo esquerdo.

Amiguinhos: como na propaganda do Colorama, os cabelos mudam, mas a voz continua a mesma. Não se deixem enganar por produtos velhos com embalagens antigas. O Brasil não aguenta mais quatro anos de petismo, qualquer que seja o nome pelo qual ele se apresente.