Sign up with your email address to be the first to know about new products, VIP offers, blog features & more.

Estamos vencendo a corrupção?

Por José Licínio

Estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) de 2010* revelou que os desvios ocasionados pela corrupção no Brasil correspondiam ao montante de até 85 bilhões de reais por ano, equivalente a 1,4% do Produto Interno Bruto.

balde-de-agua_Churn-rate_blog

Desde então o Brasil piorou sua colocação no ranking de percepção da corrupção, da organização Transparência Internacional, cujo índice vai de 0 (extremamente corrupto) a 100 (muito transparente). Em 2012 alcançou 43 pontos. Passou a ter 38 em 2015. Está na 76º posição, ao lado de Zâmbia, Tunísia, Tailândia, Índia, Burkina Faso e Bósnia e Herzegovina.

Essa piora preocupa mas não é de toda negativa. É conseqüência do desbaratamento de esquemas de corrupção, cujas operações, principalmente a lava-jato, dominam o noticiário. As prisões e os depoimentos de seus personagens, as empresas envolvidas, as propinas, dentre outros desdobramentos, são assuntos recorrentes nas mesas de bar e nas redes sociais. O “japonês da federal” virou personalidade nacional.

japones-faixa

Daí a crescente percepção pelo cidadão do quão danoso à sociedade é o abuso de poder em benefício privado por parte daqueles a quem são confiados cargos dos mais altos níveis governamentais.

Não por acaso, pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgada no último mês de janeiro aponta a corrupção como a maior preocupação do brasileiro. Segundo o estudo, 6 em cada 10 brasileiros a consideram nosso maior problema.

Na história recente, o Brasil superou o último período autoritário. Na democracia, após muitas tentativas frustradas, venceu a hiperinflação. Veio a estabilização econômica, que melhorou as condições de vida em geral do brasileiro. Agora emerge como principal inimigo, que não é novo, a corrupção.

Mas se por um lado o brasileiro passou a se preocupar e indignar de forma mais contundente com a grande corrupção, de outro, não dá sinais consistentes de que deixa de ser permissivo com a corrupção cotidiana.

Permanece quase intocado o costume da malandragem, do jeitinho, do levar vantagem nas menores coisas, que permeia grande parte das relações, sejam elas entre privados, ou entre privado e público. Não é difícil concluir que a corrupção nas mais altas esferas do governo e das empresas é reflexo da pequena corrupção.

03

A repressão à corrupção em todos os níveis não basta. Ainda estamos perdendo feio. Impõe-se a elevação do padrão ético de conduta de nossa sociedade. Difundir a ética e a moralidade nas escolas e comunidades. Instituir políticas de integridade e compliance nas organizações, públicas e privadas. Facilitar ainda mais o acesso dos cidadãos aos órgãos competentes para apresentarem denúncias contra corruptos e corruptores, inclusive garantindo-lhes o sigilo e prestando-lhes apoio quando necessário.

A consciência ética e sua observância no dia a dia em pequenas atitudes é que podem ser decisivas na luta contra a corrupção.

* Estudos da FIESP, Transparência Internacional e CNI (clique sobre os nomes para abrir os links).