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Lixo com pernas

Findo o carnaval pudemos presenciar em todos os pontos do país a montanha de lixo que repousa para contar a história de mais uma folia de Momo.

Já seria revoltante em demasia se apenas nestes dias de festa popular houvesse descarte inadequado do lixo em vias públicas, rios ou qualquer canto “premiado” que teve a má fortuna de receber um festivo incivilizado. Poder-se-ia argumentar que o espírito comemorativo anestesia os educados por um breve período, mas que, recobrada a consciência coletiva após as festividades, imperaria um concerto de urbanidade e limpeza no quotidiano.

Porém, e aí que o negócio se torna realmente grave e desanimador, o lixo está onipresente entre nós no Brasil. E por lixo, entenda-se desde o residencial que deveria ser recolhido por empresa especializada, passando pelo pequeno invólucro descartado na calçada pelo passante, até o caminhão com caçamba carregada de entulho despejado em alguma praça de nossas sujas cidades.

Sempre há tendência no Brasil do indivíduo se eximir de sua responsabilidade, colocando a culpa no outro, no governo ou na cultura imemorial do local, justificando uma conduta errônea sua que será carreada a alguma coletividade abstrata. Não se nega, de forma alguma, a péssima prestação de serviços pelo Poder Público, incluído neste quadro o recolhimento de lixo falho nas cidades, a falta de equipamentos e lixeiras nos bairros e a insuficiência de pontos de descarte correto de entulhos, dentre outros.

Mas a conduta incivilizada do cidadão do país é o maior problema nesta vergonha que é o lixo espalhado pelos municípios. Se o governo não colabora, a falta de educação de muitas pessoas contribui de forma muito mais intensa para a sujidade reinante.

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A aceitação pacífica do papel ou bituca jogados na calçada é o início da farra do “faço o que quero”, que tem várias facetas, como o sofá jogado no córrego, o resto de obra despejado pelo carrinheiro em praças e a lata de cerveja descartada no logradouro durante festas, eventos ou jogos de futebol.

O lixo não tem pernas. O lixo não tem vontade nem senso de direção. Ele aparece porque o povo o deixa lá. Não adianta culpar apenas o péssimo governo se não há educação básica, civilidade mínima. Em suma, a falta de cultura de cidadania gera o lixo em lugar indevido.

Então, na próxima enchente na sua rua ou na próxima vez que um familiar contrair dengue ou leptospirose, antes de reclamar com jeito de vítima, lembre -se do papel de chiclete largado impunemente na sarjeta e da geladeira deixada boiando no riacho. E pense nos efeitos desse lixo gerado por você nas agruras do seu próprio dia dia.