Sign up with your email address to be the first to know about new products, VIP offers, blog features & more.

Ding Dong!

No dia 14 de abril de 2013, a parada de músicas da BBC Radio 1 apresentou uma surpresa em segundo lugar, Ding Dong! The Witch is Dead, da trilha sonora do filme O Mágico de Oz. Mas o que a música fazia quase no topo da parada britânica, 74 anos depois do lançamento do filme?

Foi um protesto da esquerda britânica. Uma piada. Desrespeitosa, porque mirou diretamente Margaret Thatcher, que tinha falecido naquela semana. Até machista, já que a Dama de Ferro foi chamada de bruxa (e não existe a ofensa equivalente aos homens). E foi uma piada engraçada pra c4@%#$0*, tenho que admitir.

No entanto, o ponto mais importante não é discutir as qualidades do governo Thatcher, mas que a BBC Radio 1 se recusou a tocar a música, o que considero um erro.

Gosto dessa história, pois mostra como o exagero no politicamente correto acaba por censurar todos, direita, esquerda, conservadores, liberais, sem exceção. Curiosamente neste caso, o pensamento politicamente correto professado pela esquerda e tão ativo nos dias de hoje acabou exatamente por calá-la.

Crédito da imagem: Erik Drooker

Crédito da imagem: Erik Drooker

Daí a necessidade de termos uma sociedade efetivamente livre. Sem sensibilidades exageradas. Se pudermos fazer as piores piadas, todos poderão. Ninguém deve estar imune a críticas, e o humor é uma das suas armas mais fortes.

Porém, se vamos censurar aquilo que supostamente ofenda grupos ou pessoas, daremos poder ao Estado e à sociedade para que indivíduos sejam censurados em razão de sua religião, etnia, gênero, identidade sexual ou por meras opiniões. Posso achar que estou protegendo, por exemplo, uma minoria, mas quando menos se espera, essa minoria será a censurada.

E a censura é uma das principais armas de um Estado totalitário, ao permitir uma única corrente de pensamento, impedindo críticas ou divergências.

Há ainda o efeito contrário, a censura leva a um radicalismo de quem é calado. Se um muro é colocado na minha frente, eu tento pular mais alto. Se me censuram, eu grito mais alto, para ver se passa alguma coisa.

Por isso precisamos da liberdade de expressão. De fazer piadas. Há quem censure o humor e esse ato leva à restrição da própria liberdade de pensamento, pois a censura não cessará neste ponto.

O mais irônico é que as pessoas que conheciam Margaret Thatcher disseram que a própria provavelmente não teria se importado com a piada. Ou seja, a censura decorreu de uma excessiva sensibilidade de quem NÃO foi o objeto da piada e supostamente protegeu uma figura pública que não está imune às críticas.

Haverá controvérsias no uso da liberdade de expressão? Certamente. Haverá mau uso? Não tenho dúvidas.

Ainda assim, precisamos da liberdade de expressão. Não precisamos de um governo ou de uma sociedade que nos cale, pois temos que aprender a dizer o que pensamos e a ser responsabilizados por isso. Liberdade de expressão significa dizer o que se deseja e responder por isso quando necessário, sem que nenhuma parte seja tratada como criança.

* Como um texto contra a censura corta um palavrão? Acho que todo mundo entendeu a mensagem ali, não havia a necessidade de agredir desnecessariamente a leitura de ninguém. Porque devemos ser livres para falar e para nos calar, conforme nossa vontade.